Categoria ECA como instrumento de transformação
Uma ajuda preciosa e precisa
Augusto Russini
Santa Maria, RS
Ainda acadêmico do curso de história no ano de 2002, resolvi visitar uma pequena cascata no interior, localizada na cidade de Silveira Martins, a convite de minha namorada, que já conhecia a região. Chegamos e fomos conversar com o dono do sítio onde fica a cascata. No decorrer da conversa, um homem, que trabalhava como jornaleiro nas propriedades rurais próximas, aproximou-se com seu filho.
A criança, muito curiosa, foi ao nosso encontro e começou a nos questionar sobre os mais diversos assuntos. Ficamos surpresos, pois o menino de nove anos nunca tinha saído do meio rural e muito menos freqüentado uma escola. Emocionado, ele recordou que não lembrava da mãe, falecida anos antes.
Diante desse fato, sentei-me com o
pai, um senhor aparentando cerca de 40 anos, e expliquei que seu filho tinha o direito de freqüentar uma escola. Analfabeto e rude, não me deu ouvidos, justificando não ser necessário encaminhar o filho à escola, pois esta não mudaria a difícil situação em que se encontravam. Preocupado, continuei a conversar com este pai a respeito da importância de colocar o filho |
"Ficamos surpresos, pois o menino de nove anos nunca tinha saído do meio rural e muito menos freqüentado uma escola" |
|
numa escola, que, além de uma obrigação sua, poderia transformar suas vidas para melhor.
Retornei à minha casa pensativo e angustiado, lembrando-me do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e, sobretudo, do destino que o pai traçara para seu filho. Incomodado com a sorte do garoto, relatei o fato para uma professora da minha faculdade, que, de posse do ECA, explicou-me o que deveria fazer. Novamente, no fim de semana seguinte, tentei dialogar com o pai e, para minha surpresa, ele pediu ajuda para encaminhar seu único filho à escola. Tomado de enorme alegria, fomos a uma escola rural próxima e realizamos a matrícula do menino.
"Ao ver a situação de melhoria do pai e da criança, passei incessantemente a acreditar na minha profissão de educador" |
|
Sempre que possível, vou visitar a cascata por ser um lugar belo e pergunto para o dono do sítio sobre a criança. Ele relatou-me que o menino está cursando a terceira série do ensino fundamental, no município de Silveira Martins, recebe o Bolsa Escola do Governo Federal, além do transporte até a escola. Ao ver a situação de melhoria do pai e da criança, passei |
incessantemente a acreditar na minha profissão de educador, formando cidadãos dignos para a nossa sociedade e, conseqüentemente, melhorando a situação do Brasil, um País que, acredito, possa ser um dia uma grande potência mundial, embora a história relate-nos um passado marcado por injustiças absurdas, impregnadas no seio das classes dominantes.
Penso que todas as áreas do conhecimento são importantíssimas e devem trabalhar de forma interdisciplinar para atingirmos a igualdade social no país. Esta experiência relatada mudou tanto a situação daquele menino, fadado a uma vida de privações e excluído do exercício da cidadania, quanto a minha, pois passei a acreditar mais no meu importante papel de educador perante a sociedade.
Você gostou desta história? Quem são os seus candidatos a levar os prêmios? .
|