Os vencedores do 5º. Concurso Causos do ECA já foram escolhidos. A reunião dos jurados aconteceu na presença de representantes do Ceats e da Fundação Telefônica na sede da Fundação Instituto de Administração em São Paulo. A exemplo do que acontece todos os anos, este é sempre um momento muito esperado por todos. Antes desse dia decisivo, uma série de preparativos são feitos para que os debates aconteçam sem imprevistos e da maneira mais agradável possível. Para marcar o início das atividades, a equipe do Portal Pró-Menino fez uma rápida retrospectiva do Concurso Causos do ECA, contextualizando o projeto ao longo de cinco anos para os jurados de primeira viagem. Foi mencionado que este ano tivemos duas importantes novidades: a categoria vídeo e o concurso interno para empregados do Grupo Telefônica.
A Comissão de Jurados de 2009 foi formada por Antonio Carlos Gomes da Costa, presidente da Fundação Antonio Carlos e Maria José Gomes da Costa e da empresa de consultoria Modus Faciende; Heloísa Prieto, escritora; Maria de Lourdes Trassi Teixeira, psicanalista e professora da PUC/SP; Paulo Afonso Garrido de Paula, Procurador de Justiça do Estado de São Paulo; Renata Galvão, produtora audiovisual; Veet Vivarta, jornalista, secretário executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), parceira do portal e do concurso.
Como se pode observar, contamos com uma comissão bem diversificada, o que garantiu um encontro cheio de argumentações interessantes. Algumas vezes acontecia de um jurado mudar a escolha prevista diante de novas reflexões inspiradas pela interação com o grupo. Fatos e atitudes que pareceram corriqueiros aos olhos do Procurador de Justiça, por exemplo, ganharam luzes diferenciadas na percepção do jornalista acostumado ao tema infância e adolescência, ou da escritora que trazia a leveza da literatura para resgatar o significado de um bom texto. Tudo sempre permeado pela sábia experiência de Antônio Carlos Gomes da Costa, cujos saberes temperavam com harmonia e conhecimento as preferências individuais. Afinal, apesar das características inerentes às áreas de atuação de cada profissional ali presente, a vivência no universo do público infanto-juvenil foi a intersecção que os encaminhou ao consenso final.
Os jurados comentaram sobre a riqueza dos textos enviados, tanto pela profundidade emocional das histórias quanto pelos encaminhamentos respaldados no ECA. Veet Vivarta afirmou que este ano foi a melhor safra de causos, chegando a sugerir que a organização encontre uma forma de dar visibilidade aos outros casos não finalistas, pelo teor pedagógico e por sinalizarem pontos fortes e fracos da rede de proteção à criança e ao adolescente . Antônio Carlos lembrou como é gratificante observar a persistência e o envolvimento dos atores que vão às últimas circunstâncias e instâncias, recorrendo inclusive o Ministério Público.
Uma questão que veio à tona foi a lógica que ainda persiste do encaminhamento da criança ao abrigo, prática não recomendada pela nova lei de adoção, sancionada recentemente. A lei reforça o que o ECA já estabelece, ou seja, condição socioeconômica precária não é pré-requisito para abrigamento e muito menos para adoção. A participação e o papel da escola na garantia dos direitos da criança e do adolescente foram ressaltados por Dr. Paulo Afonso, ao afirmar que falta um protocolo de atendimento nas escolas para que haja um “domínio dos recursos existentes”.
Em relação ao vídeos enviados os jurados enfatizaram que os temas abordados tratam do direito da criança de ser criança, do caminho do abrigamento como uma opção a ser evitada, das boas falas da população, da responsabilidade comunitária e do apoio sociofamiliar. “Os vídeos que venceram produziram um trabalho com narrativas claras e roteiros mais lógicos”, disse a jurada Renata Galvão.
De um modo geral, repetindo as palavras de Antônio Carlos Gomes da Costa durante a reunião, os causos do ECA trazem a público situações reais de vida que têm o poder de “alargar os limites do possível” em relação ao que a sociedade compreende do Estatuto da Criança e do Adolescente. As trocas entre os jurados confirmam o quanto é importante disseminar os causos do ECA e estender mais e mais as possibilidades legais trazidas pelo Estatuto. Afinal, a história de um é também a história de todos.
Conheça os jurados do 5º Concurso Causos do ECA:
Antonio Carlos Gomes da Costa é pedagogo, presidente da Fundação Antonio Carlos e Maria José Gomes da Costa e da empresa de consultoria Modus Faciende. Foi oficial de projetos do Fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), foi secretário da Educação de Belo Horizonte e presidente da Febem no governo Tancredo Neves. Foi um dos integrantes da comissão de redação do ECA.
Heloísa Prieto é autora de 53 títulos para jovens e crianças publicados pelas editoras Companhia das Letras, Atica, Rocco, Moderna, Cosac&Naify entre outras. Formada em Letras (USP), é Mestre em Semiótica e Comunicação (PUC) e Doutora em Literatura (USP). Tradutora, coordenadora editorial, recebeu vários prêmios como o Jabuti, União Brasileira dos escritores, Fundação Nacional do Livro. Sua série "Mano", em parceria com o jornalista Gilberto Dimenstein, foi transformada em filme dirigido por Laís Bodansky e estréia em junho de 2010, com o nome "As melhores coisas do mundo" (Warner).
Maria de Lourdes Trassi Teixeira é psicanalista, doutora pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) na área de adolescência e violência, conselheira da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente e coordenadora do Curso Adolescente em Conflito com a Lei da Universidade Bandeirante (UNIBAN).
Paulo Afonso Garrido de Paula é procurador de justiça e membro do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo. É professor de Direito da Criança e do Adolescente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ex-presidente da Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude (ABMP). Foi um dos integrantes da comissão de redação do ECA.
Renata Galvão é produtora executiva da Buriti Filmes e seu mais recente trabalho é o filme "Chega de Saudade". Além da produção executiva de longas-metragens, coordena o projeto de cinema itinerante Cine Tela Brasil e as oficinas audiovisuais Tela Brasil. Atualmente está fazendo a produção executiva do longa-metragem de animação "Lutas" de Luiz Bolognesi e Laís Bodanzky e co-produção com a Gullane Filmes.
Veet Vivarta é jornalista e hoje ocupa a função de Secretário Executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). Entre outras atividades, coordena o desenvolvimento das metodologias implementadas pela Agência e hoje replicadas internacionalmente, no âmbito da Rede ANDI América Latina. Temas como desigualdade, educação, trabalho infantil, violência sexual, responsabilidade social empresarial e mudanças climáticas são foco das iniciativas voltadas à qualificação da cobertura jornalística realizadas regularmente pela ANDI.