A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
em 1990 e a da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) em 1993 consagram uma
nova abordagem para políticas de proteção integral para infância e juventude.
Neste novo marco legal, a criança e o adolescente deixam de ser vistos como
portadores de necessidades - e freqüentemente um problema a ser enfrentado - e
passam a ser considerados sujeitos de direitos, cabendo às gerações adultas o
dever de construir um sistema de garantia de direitos. E, para alcançar estes
objetivos, as políticas públicas devem ser organizadas segundo os princípios da
descentralização, da articulação de ações governamentais e não-governamentais,
e da participação da população, por meio de diversos conselhos.
Todo esta arcabouço jurídico, constituído a partir da
Constituição Brasileira de 1988, procura assegurar às crianças e adolescentes o
acesso a políticas sociais básicas, como saúde e educação; à política de
assistência social, em caso de risco e vulnerabilidade social; e à políticas de
garantias de direitos, para as situações de ameaça ou violação de direitos.
As redes de atenção à criança e ao adolescente, que vêm
sendo implantadas por diversas prefeituras em parcerias com os conselhos
municipais, oferecem uma pista de como é possível caminhar no sentido da
construção de políticas públicas, segundo os princípios da LOAS e do ECA. Essas prefeituras vêm enfrentando os desafios
de construir uma política para atenção a crianças e jovens em novas bases, a
partir do conceito de atuação em rede, com o compromisso de interlocução e
fortalecimento de todos os atores envolvidos.
Um elemento que tem contribuiu bastante para isto foi o
posicionamento de financiadores importantes, como é o caso do BNDES, que a
partir de 1997 passou a apoiar a estruturação dessas redes. Um balanço do
programa do BNDES mostra um conjunto de treze prefeituras de diferentes regiões
que assumiram a tarefa de estruturar as redes de atenção à crianças e jovens.
São treze cidades, sendo nove em prefeituras de capitais, totalizando um volume
de investimentos da ordem de R$ 21,5 milhões, sendo R$ 14,7 milhões de
financiamento não-reembolsável do BNDES e R$ 6,7 milhões de contrapartida dos
municípios.
Os atores principais deste processo têm sido as prefeituras,
a quem cabe a responsabilidade pela política de atenção no âmbito municipal, e
os Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do Adolescente, compostos de
forma paritária por membros do poder público e da
sociedade civil, que desempenham uma função estratégica na formulação da
política e no acompanhamento da sua implementação.
Ao lado dos traços peculiares de cada rede local, vale elencar os princípios comuns a todas, quais sejam:
integração, complementaridade, articulação, acompanhamento e avaliação e
participação dos diversos atores.
A estruturação dessas redes demandou investimentos em
infra-estrutura de atendimento (nas organizações governamentais e
não-governamentais), no desenvolvimento do sistema de informações, no
fortalecimento dos Conselhos de Direitos e Tutelares,
na capacitação para atuação em rede e na dinamização do Fundo da Criança e do
Adolescente.
O investimento no sistema de informações é peça fundamental
para o funcionamento da rede. É a partir dele que se realiza um diagnóstico
amplo e preciso da situação a ser enfrentada, e se alicerça o processo de
planejamento e direcionamento das intervenções, bem como se estabelecem as
condições de acompanhamento da execução e avaliação dos resultados. A
divulgação de informações confiáveis, ademais, permite sensibilizar a população
e ganhar a confiança dos parceiros institucionais, além de aumentar o controle
social sobre as ações desenvolvidas.
De um modo geral
estes municípios passaram a adotar uma visão mais abrangente sobre a política
para a infância e juventude: o público-alvo deixa de ser o tradicional "menino
de rua" e passa se olhar para o conjunto
de crianças e jovens em situação de maior vulnerabilidade social - em geral
aqueles residentes em favelas ou nos bairros da periferia das grandes cidades.
Os diversos programas passam então a se direcionar para estas crianças e
adolescentes, trabalhando sempre no contexto de suas famílias e no âmbito das
comunidades onde residem.
Um bom exemplo desta visão abrangente encontra-se no
Espírito Santo. A prefeitura de Vitória já implementou com sucesso o Programa
Rede Criança, que contempla uma rede com cobertura pública (34 programas
municipais e duas instituições estaduais) e privada (66 ONG"s), além dos
Conselhos de Direitos e Tutelar, voltada para crianças e jovens em situação
precária, que correspondem a 26% da população da cidade. Os investimentos principais contemplaram a
instalação de onze unidades de atendimento nos bairros e no desenvolvimento de
um amplo sistema de informações sobre a rede e cada uma das instituições
integrantes. Como desdobramento deste Programa foi desenvolvida uma estratégia
para a região metropolitana envolvendo a prefeitura da capital e as prefeituras
dos três municípios do entorno: Cariacica, Serra e
Vila Velha.
Outra mudança qualitativa observada nesses municípios é a
adoção de uma visão de longo prazo, onde
se investe tempo e recursos em um amplo diagnóstico da situação, no
planejamento e principalmente na escuta da população e de todos os atores
envolvidos, e na negociação para elaboração da política e definição dos
diversos projetos a serem implementados.
Estas etapas prévias à implementação dos projetos
contribuíram para uma maior legitimidade e racionalização na aplicação dos
recursos. Observou-se, na prática, que o diagnóstico e planejamento
participativos levam a um posicionamento cooperativo, ordenando as disputas por
recursos. Mais do que isto, a visão sistêmica contribui para uma maior eficácia
das políticas sociais, permitindo atuar efetivamente nos pontos críticos do
sistema de atenção, aumentando as
possibilidades de alcançar o público mais vulnerável pela pobreza e exclusão.
Uma experiência que ilustra bem este ponto é a da Prefeitura
de Porto Alegre, onde promoveu-se a discussão organizada sobre os problemas e
soluções relativas a crianças e jovens nas 16 regionais da cidade, mobilizando
famílias, órgãos de atendimento e entidades. Concorreu positivamente para isto
a prática do Orçamento Participativo de Assistência Social, que permitiu
respostas concretas às demandas regionais, com a participação dos usuários e
prestadores de serviços.
Vale ressaltar nestas experiências, também, as
possibilidades que se abrem para trabalhar de forma articulada com as demais
políticas setoriais, como saúde e educação, garantindo o atendimento integral
das crianças e jovens.
Um outro saldo positivo comum nestes projetos é que o poder
público municipal se fortalece para exercer efetivamente o papel de coordenador
das ações voltadas para a infância e adolescência no município junto com os
conselhos locais. Ou seja, a prefeitura deixa de ser apenas a instância que
realiza convênios financeiros com as organizações não-governamentais, e passa a
desempenhar as atividades de planejamento, acompanhamento, avaliação e
formulação de novas políticas.
Além disso, observam-se, mudanças qualitativas nos conselhos municipais,
bem como nas diversas organizações pertencentes às redes, que se tornam mais
profissionalizadas e passam a trabalhar com uma outra perspectiva. Assim, os investimentos em organização de
redes locais, além de viabilizar soluções para o atendimento de crianças e jovens,
oferecem um retorno importante em termos de formação de capital humano e
capital social nas cidades. São
resultados de difícil mensuração, mas que constituem elementos cruciais para a
construção de políticas públicas em novas bases.
Finalmente, essas prefeituras também obtêm avanços
significativos na capacidade de atração de novos colaboradores para a rede,
aumentando a captação de recursos para o Fundo Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente.
Isto decorre diretamente do aumento do grau de confiança da sociedade em geral
e das empresas na política local voltada para crianças e jovens.
Ou seja, esta forma de trabalho tem resultado na atração de
atores institucionais importantes, como empresas ou suas fundações, que
realizam contribuições significativas aos fundos municipais, ou mesmo passam a
desenvolver ações de fortalecimento da rede, em particular dos conselhos de
direitos e tutelares.
Essas novas formas de parcerias vêm demonstrando a superação do conceito de que
as políticas públicas são sinônimos de estratégias exclusivamente
governamentais, e apontam caminhos importantes para a sustentabilidade
das políticas de proteção integral da infância e da juventude do país.
REDES LOCAIS DE ATENÇÃO À CRIANÇA E
AO ADOLESCENTE
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CIDADE
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GESTÃO
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CONTATO
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Belém (PA)
Rede Criança Belém
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Fundação Papa João XXIII
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funpapa@interconect
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Maceió (BA)
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Fundação Municipal de Apoio à Criança e ao Adolescente
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funacria@globo.com
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Vitória da Conquista (BA)
Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente
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Comitê Gestor da Rede e CMDCA
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redeatencao@pmvc.com.br
comdica@pmvc.com.br
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Teresina (PI)
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Secretaria municipal da Criança e da Adolescência
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semcad@teresina.pi.gov.br
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Aracaju (SE)
Cidade Criança
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Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania
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acaosocial@aracaju.se.gov.br
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Vitória (ES)
Rede Criança
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Secretaria Municipal de Ação Social
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www.redecria.org
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Belo Horizonte (MG)
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Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social
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cacs@pbh.gov.br
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Região metropolitana do Rio de Janeiro (RJ)
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Fundação para a Infância e Adolescência - FIA
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www.fia.rj.gov.br
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Presidente Prudente (SP)
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Comitê Gestor e Secretaria Municipal de Assistência Social
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redecria@stetnet.com.br
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Curitiba (PR)
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Fundação de Ação Social e Secretaria Municipal da Criança
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faz@faz.curitiba.pr.gov.br
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Florianópolis (SC)
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Secretaria Municipal de Habitação, Trabalho e
Desenvolvimento Social
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48-251-6244
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Caxias do Sul (RS)
RECRIA
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Fundação de Assistência Social e CMDCA
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www.recria.org.br
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Porto Alegre (RS)
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Fundação de Assistência Social e Cidadania
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www.portoalegre.rs.gov.br (Assistência Social)
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