Quando um grupo de pessoas se reúne para trabalhar junto por um objetivo comum, muitos obstáculos surgem. Ao se começar essa relação aparecem resistências, internas e externas, que podem causar grande malefício ou serem entendidas como desafios e provas. Situações desconfortáveis vistas como lições a aprender transformam dificuldades em força. Assim é possível constituir um grupo de pessoas capaz de assumir as tarefas necessárias ao estabelecimento de suas ações no mundo e de chegar à maturidade a partir de um processo de aprendizado e desenvolvimento. Mas, por outro lado, se não trabalhadas as relações podem chegar a um grau de conflito jamais esperado. Tudo depende da maneira como as pessoas lidam com as suas dificuldades.
Incômodos não podem ser totalmente evitados. Quando superados fortalecem as relações como as doenças infantis fortalecem as crianças, mas é necessário conhecer algo sobre essas doenças para se poder cuidar da criança. O mesmo pode ser dito em relação aos desafios de uma organização ou de um grupo, é importante saber algo ao seu respeito antes de enfrentá-los. Os processos de um grupo se dão através dos indivíduos, cada um tem seu ritmo e caminho próprio que deve ser respeitado. Portanto, a aprendizagem também passa pelo auto-conhecimento, aceitação de si e do outro e pelas mudanças de atitudes, acordada pelo indivíduo e pelo grupo como necessárias. Caso contrário, um padrão inconsciente de comportamento pode colocar em risco a vida de uma instituição como o sarampo em crianças desnutridas.
Crenças como: "Se ganhássemos na loteria tudo estaria resolvido" ou "se edificações ideais fossem construídas não haveria mais problema", não ajudam a enfrentar a realidade institucional. Acreditar na necessidade exclusiva de auto-sustentação ou ter uma postura auto-suficiente causa muitos embaraços na relação com o exterior. Talvez o grupo tenha uma pessoa tão forte que impeça os outros de se sentirem co-responsáveis ou pessoas que tenham muita pressa de agir, provocando ações imaturas. Posturas que negam o aprendizado e a auto-educação ou que sucumbem na rotina diária não ajudam no processo de desenvolvimento; e pessoas que esperam que os recursos caiam do céu ou que nada se arriscam dificultam o caminhar dos acontecimentos.
Muito dessas "doenças" vivem na cultura de um grupo e aproveitam momentos de debilidade para se desenvolverem. É importante que uma organização pare de tempo em tempo para analisar a unilateralidade do próprio grupo, fomente o diálogo e propicie que indivíduos trabalhem sobre si de forma sistemática e construtiva para conquistar a consciência e equilíbrio nas relações.