Do clipping da Andi
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem demonstrado que, apesar da gradativa redução, ainda é grande o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho no Brasil, especialmente na agricultura familiar, no trabalho doméstico e nas atividades urbanas informais. Nesses campos, a atuação dos órgãos de fiscalização é bastante limitada, sendo mais eficazes as ações de prevenção. Um dos fatores que dificulta a erradicação do trabalho infantil é que parte da sociedade não concebe o trabalho precoce como problema social.
Muitos creem que se deve permitir que crianças e adolescentes ajudem a complementar a renda de suas famílias. Outros dizem ser um meio de ocupar a criança e o adolescente, evitando que entrem em conflito com a lei. A erradicação do trabalho infantil requer um processo constante de conscientização. A melhor estratégia é investir na formação dos futuros cidadãos, tornando-os conscientes e comprometidos com uma sociedade sem exploração de crianças e adolescentes. Nessa missão, a escola é o caminho mais adequado. Dentre os atores do Sistema de Garantia de Direitos, os educadores ocupam situação de destaque.
Os profissionais da assistência social lidam com os que se encontram em situação de vulnerabilidade social; os da saúde lidam com os que estão com a saúde vulnerável; os da educação lidam todos os dias com todas as crianças e adolescentes. Os educadores possuem melhores condições de identificar casos de trabalho infantil, pois, na maioria das vezes, o trabalho precoce é a principal causa do baixo rendimento ou do abandono escolar. A escola pode e deve colaborar com a prevenção do trabalho infantil. É necessário capacitar e sensibilizar profissionais da educação para serem multiplicadores, promovendo debates com alunos e pais, para romper barreiras culturais que dificultam a efetivação dos direitos da criança e do adolescente.
Diário do Nordeste (CE) – 06/09/2009