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05/06/2009

Entrevista com Mario Sergio Cortella sobre trabalho infantil - Banda Larga

 
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A entrevista com Mario Sergio Cortella foi feita para o livro Retratos do Trabalho Infantil, que apresenta os resultados de pesquisa realizada pela Ação Educativa, por solicitação da Fundação Telefônica. A pesquisa busca diagnosticar as formas de inserção e vulnerabilidade ao trabalho infantil do público atendido no Programa Pró-Menino – Combate ao Trabalho Infantil, mantido pela Fundação.

Na entrevista, Cortella explica a diferença entre as palavras infância e criança. Infante, diz ele, é aquele que está impossibilitado de falar, aquele que não tem voz. Criança é aquele que está sendo criado. É preciso que o educador permita que a criança tenha voz e isso é diferente de dar voz a ela. Crianças fora do aparelho escolar são invisibilizadas, não são procuradas. Estar matriculada numa escola é uma forma da criança estar visível e, assim, protegida. 

Na opinião de Cortella, há uma diferença entre trabalho e ocupação. "Muitas famílias preferem que o adolescente tenha um trabalho para que ele não fique desocupado. Existe uma lógica antiga de que a criança deve aprender a trabalhar", diz ele, explicando que aprender a ter ações responsáveis e ter ações monetárias como um emprego são coisas diferentes. 

"Crianças felizes não são crianças que não trabalham. São crianças que não sofrem cobranças contínuas no dia-a-dia, como tem um empregado. Gente foi feita pra ser feliz. A palavra feliz vem do latim felix, que significa fértil. Felicidade é fertilidade, ou seja, é tudo aquilo que impede que a vida cesse. Crianças que trabalham têm uma desertificação da vida".

Ele termina lembrando Guimarães Rosa: “o sapo não pula por boniteza, mas por precisão”.  Nós vamos ter que pular por precisão para mudar a realidade do trabalho infantil no Brasil. Com esperança, consciência e litigância, conclui Cortella.


 

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