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Gestão de ONGs
As 5 perguntas mais importantes para uma OSC segundo Drucker

Objetivos

Muitas organizações sem fins de lucro já perceberam que é necessário embasar a gestão da organização em sua missão e administrar os limitados recursos humanos e financeiros com muita competência para se atingir o máximo em termos de resultados sociais. As boas intenções já não são mais suficientes.

Adaptada a partir de publicações da Peter F. Drucker Foundation, esta ferramenta foi desenhada para ajudar as organizações a melhorarem seus resultados com o uso do tempo e dos recursos. Foi desenhada para que a organização se concentre em sua missão e também aprenda a dizer não. É uma ferramenta de análise situacional que ajuda as equipes a adquirirem maior consciência do que fazem, por que fazem e como fazem. Ajuda, também, na reflexão do que deveria

Experiência necessária

 

 

É muito importante a definição de um facilitador para a aplicação desta ferramenta. O papel essencial do facilitador é o de favorecer o diálogo e a troca no grupo, sem direcionar, de maneira a assegurar que todos os aspectos da ferramenta sejam devidamente explorados e que todos realmente participem. O facilitador deve ter boa capacidade para ouvir os outros e ser capaz de aproveitar as oportunidades para se discutir outras questões importantes que surjam durante o processo. O facilitador também deverá ter a habilidade de desenhar o processo em função do tamanho do grupo. Assim, por exemplo, ele deve saber quando trabalhar em subgrupos e quando trabalhar com todos os participantes. Finalmente, o facilitador deve ser reconhecido como imparcial e digno de confiança por todos os participantes.

Tamanho do grupo

O tamanho do grupo pode variar bastante, desde uma ou duas pessoas até toda a organização. Quanto maior o grupo, maior a complexidade e, portanto, maior a experiência necessária do facilitador. Mais importante que o tamanho do grupo é a composição do mesmo. O grupo de participantes deve ser selecionado considerando-se as pessoas que querem investir o tempo necessário na aplicação da ferramenta. Entre os participantes é importante a presença de pessoas com capacidade de análise e de pessoas com espírito prático. Este equilíbrio assegura uma boa análise que sai do papel e vai para a ação. Como esta ferramenta tende a gerar decisões importantes, é aconselhável a participação dos responsáveis bem como de outras pessoas que assumirão as conseqüências das decisões a serem tomadas. Como esta é uma ferramenta de auto-avaliação, é importante que os participantes estejam dispostos a rever sua forma de agir.

 

Tempo necessário

O tempo para a aplicação desta ferramenta pode ser bastante variável em função no número de participantes e da profundidade que se quer atingir. Como foi dito anteriormente, a questão central é a interação do grupo, assim, quanto maior o grupo, maior o número de pessoas para falar e participar e maior o tempo total. Por outro lado, este exercício pode ser feito mais superficialmente ou de uma forma mais aprofundada e cuidadosa, o que também influenciará muito no tempo necessário. Entretanto, pode-se prever a necessidade de no mínimo uma ou duas horas de trabalho individual além de 4 a 8 horas de atividade em grupo.

Materiais necessários

Roteiros de perguntas para cada participante, flip chart, pincéis atômicos, papel e caneta para os participantes.

Disposição do espaço

Trabalhos individuais em locais tranqüilos em que a concentração pessoal seja facilitada. Nas atividades em grupo uma disposição em círculo pode ser apropriada por facilitar o diálogo e a interação.

Processo

  1. Preparar o processo. O facilitador deve planejar antecipadamente todo o processo. Isso inclui: a) reunião com os responsáveis da organização para a definição e convite aos participantes, definição de duração do processo, disponibilidade das pessoas e acordos gerais de trabalho; b) conhecer o perfil de cada participante para melhor compreender suas funções e expectativas; c) leitura antecipada de todas as perguntas do roteiro e estudo de temas relacionados (veja item Perguntas Sugeridas a seguir) e d) preparo de toda a logística para o trabalho (salas, café, etc.).
  2. Apresentação dos participantes uns aos outros, levantamento de expectativas, esclarecimentos dos objetivos da ferramenta, apresentação das etapas de trabalho e estabelecimento de acordos (tempo, participação de todos, etc.). Esta etapa deve incluir a apresentação do roteiro de perguntas e esclarecimento das definições principais.
  3. Preenchimento individual da primeira pergunta.
  4. Discussão em pequenos grupos das respostas à primeira pergunta e preparo de uma síntese para apresentação ao grupo todo.
  5. Plenária com todo o grupo para a apresentação e discussão das respostas. Se possível, chegar a uma síntese com o consenso do grupo. Se o consenso não existir, pontuar os pontos de acordo e os pontos em desacordo.
  6. Repetir o passo anterior para cada uma das perguntas (dependendo da disponibilidade do grupo, as 4 perguntas podem ser respondidas uma a cada dia, ou no intervalo que o grupo achar conveniente).
  7. Plenária final com a revisão de todas as questões e a decisão sobre um plano de ações para implementar as medidas
Perguntas sugeridas

A) Definição dos termos utilizados

Clientes: os clientes são as pessoas que podem decidir se aceitam ou rejeitam seus serviços, se participam ou não de sua organização, e assim por diante. Devem ser considerados como pessoas a que se deve satisfazer.

Valor: qualquer que seja sua tarefa, a exemplo de desenvolver um programa, desenvolver fundos de recursos, ou prestar um dado tipo de serviço, deve-se ter em mente o que é valoroso para os seus clientes. Todos os seus clientes devem querer o serviço que você presta. O valoroso para os clientes responde à pergunta: "que coisas que fazemos, ou podemos fazer, por você cliente que realmente o ajudam?". Como Peter Drucker diz: "Se não se utilizam de seus serviços, se não desejam o que você oferece, seu trabalho é em vão".

 

B) As perguntas orientadoras

 1. Qual é o nosso negócio (missão)?

a) O que sua Instituição tenta alcançar?

b) Pelo que você deseja que sua Instituição seja lembrada?

c) Que resultados específicos sua Instituição busca?

Cite 3 resultados específicos que sua Instituição busca. Os resultados obtidos até agora têm sido condizentes com os esforços feitos? Esta é a melhor distribuição possível de pessoas e de dinheiro? Faça um quadro resumo com os resultados buscados e com a avaliação de desempenho para cada resultado.

d) Quais são os principais pontos fortes da Instituição? Quais são as dificuldades?

 

2. Quem são os clientes da Instituição? O que eles valorizam?

Pense em cada um dos diferentes grupos de pessoas a quem sua Instituição presta um serviço hoje, estes são os seus clientes primários. Pense também em todos os grupos que de alguma forma apoiam sua Instituição, estes são seus clientes de apoio. Descreva brevemente o que cada um destes clientes valoriza na Instituição. Comente brevemente em que medida a Instituição faz um trabalho bom ou deficiente com cada um dos seus clientes.

a) Quem são nossos clientes? O que consideram valioso? Como estamos nos sain­do?

b) Quais são as principais atividades que têm contribuído para atender as necessidades dos clientes? Quais as atividades que têm atrapalhado?

 

3. Que resultados sua Instituição tem atingido efetivamente?

a) Como definimos os resultados que queremos atingir em

 

Variações

São inúmeras as variações do uso desta ferramenta e em geral elas se relacionam com a alteração dos espaços individuais, pequenos grupos e grupo todo. Por exemplo, pode-se fazer o exercício todo individualmente e depois ocorrerem reuniões para discussão. Quanto mais tempo o grupo se dedicar às respostas e discussões, mais aprofundado é o trabalho, mas tempo também é um recurso escasso, assim, cada organização deverá decidir o quanto deseja investir.

 

Referência

Barry, Bryan W ., Strategic Planning Workbook for Nonprofit Organizations. Amherst H. Wilder Foundation, 2001.

Brinckerhoff, Peter C., Mission-Based Management. John Wiley & Sons, 2001.

Christopher Schaefer & Tÿno Voors, Desenvolvimento De Iniciativas Sociais: da visão inspiradora à ação transformadora. Editora Antroposófica, 2000

Druker, Peter, F ., Managing the nonprofit organization. Harper Collins Publishers, 1990.

Huertas, Franco . O Método PES: entrevista com Matus. Trad. Giselda Barroso Saveur, FUNDAP,1996.

Light, Mark , The Strategic Board - The step by step guide to high-impact governance. John Wiley & Sons, 2001.

Rossum, Constance, Las Cinco Perguntas Mas Importantes. The Peter Drucker Foundation, Editorial Granica, 1995.

Silva, A.L.P.. Utilizando o planejamento como ferramenta de aprendizagem. Editora Global, 2001.

Silva, A.L.P., Coordenador, Guia de Gestão para quem dirige entidades sociais, SENAC/Fun­­dação Abrinq, 2002.

Autor: Lafayette Parreira Duarte - Instituto Fonte

Observação: Esta ferramenta pode ajudar a melhorar resultados com o uso do tempo e recursos, concentrar-se na missão e aprender a dizer não. É uma ferramenta de análise situacional que ajuda a adquirir maior consciência do que se faz, porque e como.

Público alvo: F

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