
Luciane Maria Carmeille
Peruíbe - SP
Este causo que lhes conto aconteceu em 2007, por ocasião do final do ano letivo. A escola preparava o Quadro Escolar de 2008, que mostraria quantas classes teria no ano seguinte e o número de alunos em cada uma delas.
A situação apresentava-se complicada, pois tínhamos que resolver o problema do possível fechamento de duas classes, devido à evasão escolar ocorrida no decorrer do ano letivo, o que resultaria na superlotação de uma classe e no término do curso do EJA, que é o Ensino de Jovens e Adultos.
Levantado o problema, o Conselho de Escola foi reunido e ficou decidido que seria formada uma Comissão de Pais que colheria documentos, tais como a cópia do Quadro Escolar 2007 e uma projeção do quadro de 2008, uma cópia do Plano de Governo do então prefeito eleito, onde constava que haveria atendimento da demanda de jovens e adultos no Ensino Fundamental, EJA, adequação física e redução do número de alunos nas classes, cópia do ECA, para constar que todos tem direito à escola, lista com os nomes dos pais que compuseram a Comissão, que incluía vários bairros atendidos pela Unidade Escolar em questão e, finalizando, um abaixo-assinado dos pais das crianças envolvidas e de toda a comunidade que se sentiu prejudicada com a possibilidade do fechamento das salas de aula.
Com a documentação pronta, a Comissão de Pais foi recebida no Gabinete da Prefeita pela diretora do Departamento de Educação do Município e pela Prefeita, num encontro que permitiu a entrega da reivindicação e uma visita posterior da diretora do Departamento de Educação à escola, para uma melhor avaliação dos fatos relatados.
Nesse encontro, foram discutidos as várias causas que levaram à evasão escolar, dentre elas a dificuldade de transporte. Em nossa região, muitas crianças moram em localidades que ficam prejudicadas, pois o transporte coletivo tem dificuldade de circular em dias chuvosos, pois o ônibus fica atolado na lama.
Após uma conversa em que pais, professores e representantes do Poder Público conseguiram mostrar seus pontos de vista, veio o entendimento e as classes não foram fechadas. Conseguimos inclusive um ônibus escolar para transportar as crianças que moram em locais mais distantes da escola, a zona rural, o qual funciona até hoje.
Esse foi um fato que ficou marcado na minha memória, porque foi a primeira vez que, como mãe, membro da APM e do Conselho de Escola, conseguimos reunir os pais para solucionar um problema que tocava tantas crianças.
A emoção no gabinete da Prefeita, entre os pais e professores, foi muito forte e mostrou que, unidos, nós fazemos a diferença, juntos mostramos que somos fortes e somos fortes porque estamos unidos pelo bem de todos.
Contar este causo é agradecer a todas as pessoas que participaram comigo desta grande aventura pela busca do respeito ao próximo.
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