Objetivo: definir com clareza o Público Alvo do Projeto e os atores principais de seu contexto de vida.
Resultados do uso do Mapa:
- Declaração do Objetivo Geral do Projeto (conceitualmente, a Missão do Projeto)
- Definição dos Objetivos Específicos (resultados esperados do Projeto em diferentes aspectos)
- Identificação de Potenciais Parcerias na comunidade do público alvo
Procedimentos para usar a feramenta:
Escolher o Público Alvo
Implica em selecionar UM determinado público que está sofrendo uma condição crítica, a qual o Projeto quer transformar para o bem. Coloca-lo no centro de um círculo.
Pergunta orientadora: "Em quem o Projeto quer ver os principais benefícios de sua atuação?"
Definir detalhes sobre este Público Alvo
Implica em detalhar ao máximo o perfil do público que o Projeto determinou como sendo seu alvo.
Perguntas orientadoras:
"Quem são estas pessoas que estão no centro de atenções do Projeto? Onde moram? Que idade têm? Há alguma característica especial no seu perfil?"
Mapear os atores que influenciam a vida deste Público Alvo
Implica em detalhar ao máximo os atores que exercem tipos diferentes de influência sobre o Público Alvo. Influência pode ser boa ou má, dependendo do ator social. Vale a pena mapear todos eles, pois podem ser úteis para, depois, o Projeto definir suas estratégias de atuação mais eficientes com os atores positivos e as estratégias de neutralização dos atores negativos. Pergunta orientadora:
"Quem influencia a vida do Público Alvo? Quem são os atores?"
Há diferentes categorias de atores sociais na vida do público alvo. Vamos separá-los de acordo com o TIPO DE RELACIONAMENTO que estabelecem com ele.
Visualmente, separaremos em halos em torno do alvo central.
TIPO 1: FAMÍLIA
São as relações afetivas mais íntimas. Se não houver pai, mãe ou irmão, quase sempre há um substituto para este papel; em alguns casos não há mesmo ninguém, então seu Mapa ficará "em branco" neste item.
TIPO 2: INSTITUIÇÕES DE APOIO
São aquelas instituições criadas para este fim: apoiar o desenvolvimento do público central no seu percurso de desenvolvimento. Seu relacionamento com o público alvo é mais "frio", não há o componente afetivo presente no âmbito FAMÌLIA.
TIPO 3: COMUNIDADE
Aqui volta o componente afetivo no âmbito das relações comunitárias presentes no dia a dia do público alvo: quem são seus amigos, que lugares de convivência e lazer freqüenta, as associações e clubes do bairro, os locais de encontro.
TIPO 4: CONTEXTO HISTÓRICO POLÍTICO E SOCIO CULTURAL
O "pano de fundo" da sociedade na qual o público alvo vive. Neste âmbito não há uma relação pessoal, mas, coletiva com aquele público em questão. São, às vezes, influências fortes, como a televisão, a mídia em geral ou a lei que regulamenta ações que afetam de alguma maneira o Público Alvo.
Construir a lista de Problemas e Necessidades do Público Alvo
Implica em identificar os problemas que assolam a vida deles. E analisar a causa destes problemas, vinculando-os à sua origem - os atores sociais. Isto é importante porque a estratégia do Projeto pode então ser traçada de forma a abordar estes atores.
Perguntas orientadoras:
"Que fatos acontecem, que vêm à tona na lembrança, quando nos incomodamos com o público alvo? Quem são os atores destes acontecimentos?"
Visualmente, faremos uma Lista de Problemas ao lado do Mapa.
Construir a lista de Ativos do Público Alvo
Implica em identificar os potenciais atores que podem ajudar na resolução dos Problemas.
Orientar-se só pelas necessidades, problemas e deficiências não constrói auto-suficiência e auto-estima nas comunidades. É preciso orientar-se também pelas possibilidades de solução que se apresentam lá, in loco.
"Cada comunidade ostenta uma combinação única de ativos, e sobre ela deve-se construir seu futuro. Um mapa meticuloso desses ativos começaria com um inventário dos talentos, das habilidades e da capacidade dos habitantes da comunidade. Casa por casa, prédio por prédio, quarteirão por quarteirão, os cartógrafos da capacidade descobrirão uma vasta e às vezes surpreendente série de talentos individuais e de habilidades produtivas, com poucos deles sendo mobilizados para a formação da comunidade" (John L. McKnight).
Estes atores já estão no Mapa, é procurar e destacar: são indivíduos, associações, instituições, empresas e cada um pode contribuir no seu alcance.
Perguntas orientadoras:
"Quem pode ajudar a resolver estes problemas? Quem pode contribuir, ainda que de uma pequena forma?"
Visualmente, faremos uma Lista de Ativos do outro lado do Mapa.
Relacionar todas as informações e escolher com quais problemas e com quais ativos o Projeto vai trabalhar.
Implica em definir a abrangência de atuação do Projeto. O Mapa mostra que o contexto é sistêmico, ou seja, tem partes diferentes, mas, que se influenciam entre si. Portanto, alterando uma das partes, o Projeto pode ter impacto de transformação sobre o todo. Por exemplo, para conseguir resultados naquela menina central, muitas vezes há que se realizar ações nas suas famílias, na estrutura de atendimento à sua saúde, na comunidade local e até nas políticas públicas. Articulando os agentes, criando relações em todas as direções, mas, sem nunca esquecer: a criança é o foco, é a identidade do Projeto; o que vem em torno é apenas a estratégia do trabalho para atingir o alvo.
Perguntas orientadoras:
"Quais problemas o Projeto tem competência para trabalhar? Quais atores estarão em foco? Quais ativos poderão ser acionados?"
Definir os Objetivos do Projeto.
Implica em definir os resultados que o Projeto pretende alcançar no seu Público Alvo e nos atores estratégicos explicitados no Mapa de Contexto.
Objetivo Geral é a transformação final esperada no Público Alvo após o período de tempo do Projeto.
Objetivos Específicos são as mudanças esperadas em cada foco do Projeto: nas meninas, na escola, no hospital, etc...
Perguntas orientadoras:
"Que resultados o Projeto pretende alcançar em cada foco escolhido através do Mapa?"
Sugestões de leitura:
Ostrom, Charles W.; Lerner, Richard M. / Michigan State University and Freel, Melissa A. / University of Kentucky-Coorporative Extension Service. Building Capacity of Youth and Families Through University-Community Colaborations: The Development in Context Evaluation (DICE) Model. Journal of Adolescent Research, Vol 10, No.4, 427-428,October,1995. Sage Publications, Inc..
Kisil, Rosana. Elaboração de Projetos e Propostas para Organizações da Sociedade Civil. Coleção Gestão e Sustentabilidade, Instituto Fonte, Ed. Global, 2a. Ed. 2003.