Pode-se encarar os encontros entre pessoas como algo simples e banal. Mas há uma outra possibilidade, para a qual, muitas vezes, não se está consciente, que é a de permear os encontros humanos da vida cotidiana com uma atmosfera capaz de lhe conferir um novo significado.
Cada ser humano desenvolve sua biografia e carrega necessidades próprias - conscientes ou não - a cada momento dela. No momento em que duas pessoas se encontram abre-se a possibilidade de se iniciar entre elas um processo, que pode representar uma nova fonte de vida se o encontro for levado realmente a sério e se ambas puderem participar conscientemente da evolução do relacionamento nascido deste encontro.
Para que isso aconteça é necessário desenvolver um interesse profundo e verdadeiro acerca do outro, um interesse que, calando os próprios pensamentos ou opiniões que se possa formar a priori sobre ele, crie como que um recipiente interno que se deixa penetrar por aquilo que este outro expressa e permita perceber além de sua aparência física.
Se se consegue vencer os primeiros obstáculos que se colocam entre as pessoas, então poderá acontecer um verdadeiro encontro entre ambos. Mas, assim como neste primeiro momento, cada encontro humano certamente envolverá que cada um continue a estar disposto realmente ao sacrifício de se transformar, sob pena de que se desencadeiem continuamente as crises e mal-entendidos às quais as pessoas acabam por se resignar fatalísticamente, como se fossem obras do destino.
Só a partir dessa disposição é que poderá se realizar aquilo que, no fundo, cada pessoa espera ao estabelecer vínculos com outros: vencer o fechamento de cada individualidade em si mesma e estabelecer laços verdadeiros com o outro, que sejam a base para a formação de comunidades baseadas na comunhão entre os indivíduos.