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22/06/2009

PA: Crianças de Marajó são vítimas de exploração sexual

Do clipping da Andi

A exploração sexual de crianças e adolescentes na Ilha de Marajó (PA) foi formalmente denunciada ao Governo Federal em abril de 2006 pelo bispo local, dom José Luiz Azcona, mas o aumento na fiscalização não pôs fim à situação. Em cidades com alguns dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do País, o dinheiro parece corromper mesmo quem, à primeira vista, não tem nada a ver com o negócio do sexo. Dependendo do valor, um taxista pode se tornar agenciador de adolescentes, e um vigilante de rua pode tentar arranjar um local para o encontro ocorrer.

Não há exatamente prostíbulos em Breves (PA) ou em Portel (PA), outra cidade visitada pelo jornal Folha de S. Paulo. As meninas são “arranjadas” por terceiros ou estão pelas ruas, por vezes abordando alguém. Elas aceitam fazer sexo em troca de dinheiro para comprar um cachorro-quente. A Prefeitura de Breves disse que mantém programas para tirar as adolescentes das ruas. Longe dos centros urbanos, nas imensas zonas rurais das cidades da Ilha de Marajó, dominadas pelos rios que cruzam o arquipélago, é possível ver as meninas ribeirinhas se aproximando de balsas com passageiros, remando em “casquinhos”, canoas pequenas e frágeis. Levam açaí para vender, mas podem fazer sexo em troca, por exemplo, do óleo diesel usado para os geradores de energia das casas, como disseram moradores e barqueiros.

Cadê seu Filho? - Percorrendo por mais de uma semana a região de Marajó (PA), a operação da Polícia Civil denominada “Cadê seu Filho?” resgatou de situações de risco 22 meninas e meninos. A busca pelas crianças foi realizada na semana passada, quase inteiramente num barco do governo. O objetivo era tentar vencer um dos maiores desafios do policiamento na área: o isolamento das comunidades. Nos municípios, afastados por quilômetros de rios, os policiais fizeram batidas em danceterias, festas e bares. Procuravam crianças ou jovens que pudessem estar sendo exploradas nesses e estabelecimentos e as encaminharam para a delegacia até que algum responsável aparecesse. Na cidade de Portel (PA), a eficiência da operação foi diminuída por um radialista local, que divulgou antecipadamente a chegada dos policiais. “A gente sente a necessidade de explicar o que é abuso e exploração sexual infanto-juvenil”, afirmou a delegada Socorro Maciel, que faz parte da Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data). “As meninas dizem que o homem estava apenas ajudando (dando dinheiro), mas, na verdade, o que ele está fazendo é explorá-las, disse a delegada, que garantiu que a ação policial não se trata apenas de repressão ao crime. Segundo ela, a operação também serve para mostrar às cidades que o Estado existe, já que há poucos policiais nesses locais e eles, às vezes, são coniventes com os crimes.

Folha de S. Paulo (SP) – 22/06/2009


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