Do clipping da Andi
De acordo com a Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e Juventude (ABMP), em São Paulo são apenas quatro juristas responsáveis por cuidar de casos de adolescentes em conflito com a lei, com o duplo objetivo de conter a criminalidade entre crianças e barrar a ação do crime organizado no recrutamento da mão de obra infantil. Na capital, um juiz especializado acaba sendo responsável por 963 adolescentes todo ano, em média. Só no ano passado, 3.852 jovens foram apreendidos pela Secretaria da Segurança Pública. São 10 crianças por dia flagradas vendendo drogas, assaltando nos farois ou furtando bolsas.
Segundo o presidente da ABMP, o juiz Eduardo Melo, os juízes que cuidam da parte criminal na infância e adolescência trabalham com casos que são sorteados para eles. “Lidam com atos infracionais sem a contextualização, o que dificulta pensar em planos de prevenção, sendo que há ligação entre delinquência juvenil e carência da comunidade”, esclarece. O argumento é que, sem a atuação regionalizada, é impossível ter o diagnóstico sobre as razões que fazem determinado bairro produzir traficantes mirins em série ou entender o que está por trás do fato de em outra região prevalecer o roubo.
Conforme a diretora executiva do Instituto Latino Americano para Prevenção do Delito do Delinquente (Ilanud), Paula Miraglia, assumindo que São Paulo reúne 50% dos adolescentes em conflito com a lei de todo País, os poucos juízes acabam se convertendo em problema porque o tempo de dedicação para cada processo é comprometido.
Jornal da Tarde (SP); O Estado de S. Paulo (SP), Fernanda Aranda – 29/04/2009