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02/09/2010

Debate sobre trabalho infantil na América Latina abre Encontro Internacional

Portal Pró-Menino
por Denise Bobadilha


III ENCONTRO INTERNACIONAL CONTRA O TRABALHO INFANTIL: Saiba mais e participe!
Aproximadamente 4,3 mil pessoas, principalmente da América Latina, já acompanham a etapa virtual do III Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil.  A primeira semana do evento já montou um panorama importante sobre o assunto na América Latina. Foram recebidos 80 trabalhos de todo o mundo, dos quais 62 serão expostos no encontro.

Três maneiras diferentes – e complementares – de abordar o tema trabalho infantil abriram a etapa virtual do III Encontro Internacional sobre Trabalho Infantil. A mesa redonda aconteceu no dia 1º de setembro, com transmissão ao vivo pela internet. Nela, o sociólogo Walter Alarcón Glasinovich, o representante da Marcha Global contra o Trabalho Infantil no Peru, Isaac Ruiz, e a psicóloga Giselle Silva, todos peruanos, abordaram a situação do trabalho infantil na América Latina.

As características únicas da América Latina foram lembradas por Glasinovich em sua exposição. “Nas comunidades campesinas e amazônicas, o trabalho é um espaço de socialização, onde as crianças aprendem normas, valores e comportamentos junto com os adultos, ajudando os pais”, afirmou. O sociólogo fez questão de dizer que tal constatação não torna o trabalho mais ou menos degradante, mas é algo que deve ser levado em conta. “Precisamos ter um pensamento criativo e renovador, pois sabemos que não existe um modelo único de infância para o mundo todo”, opinou.

Para Ruiz, o mundo todo avançou muito na questão nas últimas duas décadas, mas ainda há uma grande distância entre intenção e ação. “A maioria dos países da AL assinou convênios visando a erradicação do trabalho infantil, mas alguns não avançaram além do acordo”, disse. Ele citou o aumento do número de crianças matriculadas no ensino fundamental, mas lembrou que uma proporção bem menor conclui o ensino médio. A proteção social também foi abordada. “O caso brasileiro, do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) apoiado por programas locais e federais como o Bolsa-Família, é emblemático”, exemplificou.

Depois de uma abordagem cultural e outra política, a psicóloga Silva procurou tratar o tema dentro do âmbito familiar. “A pobreza não é determinante para o trabalho infantil”, afirmou. “Se assim fosse, todas as crianças pobres trabalhariam”, completou. “O que precisa ser trabalhado é a visão do pai, da mãe e do entorno dessa criança, para que eles enxerguem a criança como ela é”.

Os três especialistas, mediados por Mario Coronado, diretor da Fundação Telefônica no Peru, responderam a perguntas enviadas da América e da Europa. Ao final, concluíram que a erradicação do trabalho passa tanto por micro-políticas– como o trabalho com as famílias e nas culturas locais – como por macro-políticas – com apoio governamental, de políticas públicas e de entidades privadas. Clique aqui para ver a íntegra do vídeo dessa mesa-redonda.

Também estão no ar vídeos de especialistas como Isa Maria de Oliveira (Brasil) e Giselle Silva (Peru) sobre as diferentes atividades das crianças e suas motivações, a íntegra do chat com o sociólogo uruguaio José Enrique Fernández, além de diversos trabalhos e textos de especialistas sobre a temática.


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