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24/06/2009

SP: Apesar do desempenho, 42% das melhores escolas estaduais sofrem com violência

Do clipping da Andi

Quatro em cada dez escolas com melhor desempenho na rede pública de ensino de São Paulo já registraram casos de violência. No grupo das unidades com piores notas, a proporção é mais alta: seis em dez tiveram episódios violentos. Os números são do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), resultado de avaliação das escolas estaduais, que abrigam cerca de 5,5 milhões de alunos em 5.300 unidades. “Não há dúvida de que há hoje uma invasão da violência externa nos muros das escolas”, diz o secretário de Educação adjunto, Guilherme Bueno. Ele admite que o estado ainda não conhece o problema com a devida precisão. “Então, uma das medidas no Sistema de Proteção Escolar que montamos aqui foi criar um sistema de registro de ocorrências, que já está funcionando desde o dia 1º, para possamos ter informações e estatísticas, dados confiáveis para entender e dimensionar a questão”, explica.

O pesquisador responsável pelo levantamento, Naercio Menezes Filho, cruzou dois grupos de informações obtidos no último Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp): as notas médias dos colégios no exame de avaliação com as respostas aos questionários aplicados a diretores das unidades, o que também faz parte do Saresp. O estudo mostra que entre as notas médias de matemática de alunos de 8ª série de 366 escolas estaduais, continha os 10% melhores e os 10% piores desempenhos. Os relatos de violência alcançaram 42% do grupo dos melhores, o que impressionou o pesquisador “Esperava que não houvesse (violência nas melhores escolas)”, declarou Menezes Filho, que atribui à violência um impacto significativo na proficiência (competência escolar).

Os dados disponíveis no Saresp de 2008 permitiram ao pesquisador também dimensionar a abrangência de atos específicos. Em atos infracionais como roubo, depredações e pichações, algumas das mais cometidas por estudantes, metade dos colégios estaduais com melhores notas no exame estadual relatou problemas, porcentual que sobe para 76% no grupo com as piores notas. Além da violência, Naercio Menezes Filho ainda cruzou outros indicadores considerados importantes para a melhora da qualidade do ensino na rede pública, como a fixação de diretores e professores nas unidades, a falta dos docentes e o acesso a computadores. Os colégios com melhores desempenhos têm profissionais da educação com mais tempo no cargo, professores que faltam menos e alunos com mais chances de acesso ao computador em casa. Líder do sindicato dos professores (Apeoesp), Maria Izabel Noronha diz que a violência está ligada à perda de autoridade docente. “Tiraram a autoridade do professor. É necessária uma campanha para ele que volte a ser reconhecido”, sugere.

O Estado de São Paulo (SP) – 24/06/2009


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