11 de outubro de 2007
do clipping da ANDI
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, terá de explicar no Senado o porquê do aumento da evasão escolar, mesmo com a ampliação do Bolsa Família do Governo Federal. A decisão é da Comissão de Educação da Casa, que resolveu se “debruçar” sobre a série de reportagens veiculadas pelo Correio Braziliense desde 30 de setembro.
As matérias mostram que, apesar de o programa ter ajudado a retirar 8 milhões de brasileiros da linha da miséria, o número de crianças e jovens fora da escola aumentou, até mesmo nos municípios onde o benefício é mais expressivo. O pedido de audiência pública foi apresentado pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN). “Precisamos esclarecer os motivos da evasão. Saber como está o controle do programa”, explica.
A data da convocação será escolhida de comum acordo entre os senadores e o ministro. Um dos adolescentes que largou os estudos para trabalhar deve ser convidado a participar da audiência. “Eles podem expor de forma nua e crua a realidade de milhares de jovens desse país”, destacou o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC).
Na opinião do presidente da comissão, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), três fatores podem contribuir para o problema: a transferência do programa do Ministério da Educação para o Ministério do Desenvolvimento Social; a mudança de nome de Bolsa Escola — criado no governo Fernando Henrique Cardoso — para Bolsa Família, que retiraria do “imaginário das mães” a preocupação fundamental com a educação dos filhos; e a fusão de programas assistenciais como vale-gás e bolsa alimentação. “Antes a família recebia o recurso pensando em educação, hoje pensa na pobreza”, disse.
Salário dos professores – Na quarta reportagem de sua série especial, o Correio Braziliense destaca a falta de políticas de qualificação dos professores. Para Célio da Cunha, assessor especial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), aumentar o salário dos educadores é o ponto de partida na busca pela qualidade do ensino. “É preciso tornar a profissão de docente atrativa, estimulando os jovens a seguirem a carreira. Caso contrário, ninguém mais vai querer freqüentar os cursos superiores de licenciatura”, diz.
O pequeno investimento nos profissionais favorece a evasão escolar, segundo os especialistas. “Com salário baixo, é impossível atingir objetivos como dedicação exclusiva e cursos de atualização”, afirma Juçara Maria Dutra, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Sem aprender, muitos alunos abandonam os estudos para trabalhar.
No País, como não há isonomia salarial para professores, o piso varia conforme estados e municípios. Em Teresina (PI), por exemplo, um educador de ensino básico recebe R$ 535,54 para lecionar durante 40 horas semanais. Já em Florianópolis (SC), o valor passa para R$ 1.792,08.
Fonte: Correio Braziliense (DF), Paloma Oliveto, Mariana Flores e Hércules Barros – (3/10)
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