Salas de bate-papo
09/12/2008
Bate-papo com o filósofo Mario Sergio Cortella

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Moderador 16:37:20
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Bem-vindos ao Bate-papo do portal Pró-menino! |

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Moderador 16:37:42
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Chat com Mario Sergio Cortella
Filósofo, com Mestrado e Doutorado em Educação pela PUC-SP, na qual é professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e da Pós-Graduação em Educação (Currículo); é professor-convidado da Fundação Dom Cabral e do GVpec da FGV/SP. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo e é autor de diversos livros. |

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Moderador 16:43:57
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Bem-vindos ao bate-papo realizado pelo Portal Pró-Menino. Conversaremos com o filósofo Mario Sergio Cortella sobre direitos humanos e direitos infanto-juvenis. |

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Moderador 16:44:08
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. Daremos início ao bate-papo às 17 horas. O chat terá duração de uma hora. |

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Moderador 16:48:41
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Pessoal, estamos aguardando o Sr. Cortella. Quem preferir, pode enviar as perguntas a partir de agora. |

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Moderador 16:49:00
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Lembramos a todos que as perguntas são enviadas primeiramente ao moderador, que as encaminha por ordem de chegada ao entrevistado. Por isso, demora um tempo até que cada pergunta seja respondida. |

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Cortella 17:02:33
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Oi pessoal! |

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Moderador 17:02:48
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. Boa tarde Sr. Cortella, boa tarde a todos, vamos começar a conversa! |

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Moderador 17:02:53
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Regis diz: Boa tarde, Cortella. É um prazer conversar com o senhor. Queria saber se o senhor acredita que estamos evoluindo na forma como tratamos nossas crianças e adolescentes? |

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Cortella 17:03:11
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Estamos apenas no fim do começo, e não no começo do fim... |

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Moderador 17:04:39
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Bianca diz: Olá, pessoal! Cortella, houve alguma cultura ou época que podemos citar como exemplar na relação com as crianças? |

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Cortella 17:05:33
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Ainda não; nesse quesito, a consciência maior está com as sociedade ocidental hoje. Claro que sociedades indígenas na América do Sul portuguesa tiveram maior cuidado e proteção. |

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Moderador 17:06:02
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Julia diz: Do ponto de vista filosófico, o que você acha do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)? |

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Moderador 17:07:11
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Este chat é promovido pelo portal Pró-Menino |

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Cortella 17:07:15
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Julia: O ECA é o ponto-de-partida a ser visto/revisto/estudado/reinventado. Não é completo e nem poderia sê-lo, mas é o documento mais objetivo nesse campo e permite algo fundamental: litigância! Isto é, lutar pelos direitos e apontar desvios. |

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Moderador 17:07:29
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Renata diz: Qual a relação entre o que uma sociedade considera ético e a prática de pedofilia, exploração sexual de menores? |

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Cortella 17:08:41
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Renata: Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos na conduta coletiva. Assim, a pedofilia e o sexo com crianças é em nossa sociedade considerado um desvio doentio e uma ameaça social; não foi sempre assim e não o é em todas as sociedades. |

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Moderador 17:09:18
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Miguel diz: Na falta de um espaço no currículo para educação de valores, de direitos e deveres, você acha que a filosofia pode fazer esse papel? |

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Cortella 17:10:30
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Miguel: Dependerá de qual Filosofia. O Nazismo tinha os seus filósofos, a violência tem os seus filósofos e a patifaria também. Se for uma Filosofia que queira proteger a dignidade coletiva e seja plural na abrangência, aí sim. |

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Moderador 17:10:42
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Camila diz: É possível chegarmos ao consenso de uma ética universal de como melhor educar e proteger as crianças? E como isto se relaciona a uma Declaração Universal dos Direitos Humanos que já tem 60 anos? |

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Cortella 17:11:38
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Camila: É o nosso sonho, jamais o nosso delírio. Não há Ética individual e uma que seja Universal é nossa meta. A Declaração aniversariante é o mais próximo que já chegamos. |

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Moderador 17:11:55
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Lara diz: Cortella, qual o principal obstáculo no Brasil para os direitos infanto-juvenis? |

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Cortella 17:12:57
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Lara: A ganância das elites predatórias, a covardia das classes médias e a inconsciência do proletariado. |

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Moderador 17:13:18
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sandra diz: Nos casos de pedofilia, a punição funciona? Existem ex-pedófilos? |

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Cortella 17:14:09
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Sandra: Não conheço ex-pedófilos e sim o pedófilo em tratamento ou em reclusão; a punição serve se a intenção é obrigar ao tratamento ou ao afastamento. |

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Moderador 17:14:31
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Gustavo diz: Qual seria o melhor antídoto para transformar a violência que hoje se vê nas escolas? |

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Cortella 17:16:04
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Gustavo: A Escola não produz violência por si mesma; o que ela faz é reproduzir modelos violentos ou não-assimilar mecanismos de rejeição à violência. O melhor antídoto é a Ética definida por Paul Ricouer: Vida boa, para todos e todas, em Instituições Justas. |

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Moderador 17:16:20
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Paulo diz: Como o senhor vê a atuação do governo brasileiro na garantia dos direitos humanos? |

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Cortella 17:17:22
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Paulo: Preocupado e eventualmente empenhado; o Ministro Vanucchi é pessoa séria e representa a postura ativa nesse campo, mas isso não é algo que esteja presente em todos os níveis. Portanto, é um governo parcialmente comprometido. |

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Moderador 17:17:44
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Lucas diz: Hoje as crianças querem tudo rápido, não sabem esperar, não têm paciência. O que a escola e a família podem fazer quanto a isso sem recorrer a castigos e outras atitudes consideradas ultrapassadas? |

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Cortella 17:19:03
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Lucas: Podem educar a si própria para o controle da ansiedade; crianças não nascem prontas. Educar a paciência exige, inclusive, a introdução de aulas de meditação. |

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Moderador 17:23:16
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Renata diz: O senhor considera a filosofia uma ciência de auto-conhecimento? |

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Moderador 17:23:59
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Desculpem, tivemos um pequeno problema técnico. |

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Cortella 17:24:14
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Renata: Pode ser auto-conhecimento; brinco que vez ou outra é alto-conhecimento. Porém, a Filosofia ultrapassa o nível do indivíduo. |

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Moderador 17:24:46
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Hélio diz: Cortella, ser violento virou um valor pra garotada. É sinal de coragem, de “ser homem”. Dá pra filosofar com um adolescente que pensa assim? |

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Cortella 17:25:55
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Hélio: Coragem não é ausência de medo; coragem é a capacidade de enfrentar o medo. O violento tem medo e não sabe enfrentá-lo e, por isso, fica menos forte. A violência é sinal de fraqueza e menosprezo intelectual. |

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Moderador 17:26:05
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Monica diz: Não existe ética individual mas existe indivíduo ético, não é professor? |

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Cortella 17:26:56
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Mônica: Sem dúvida; a Ética é sempre de um grupo, uma comunidade, uma socieade. isto é, sempre de algum coletivo. Este coletivo é feito de indivíduos. |

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Moderador 17:27:35
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Ana diz: Cortella, gostaria de estender a questão do Paulo. Como o senhor acha que está o tratamento que o Brasil dá aos direitos humanos de comparado a outros países? |

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Cortella 17:29:03
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Ana: O Brasil tem os DH como prioridade difícil de estruturar por ter sido confundida aqui com os direitos dos presos. Por isso, se na Europa tem a ver com os direitos de pensamento e etnia, conosco ficou mais complicado separar do mundo carcerário. |

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Moderador 17:29:29
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Apoenã diz: Mas como ela, a Filosofia, pode ajudar a nos unirmos como indivíduos para fazer valer nossos direitos como humanidade? Filosofar pelos Direitos Humanos tem algo de prático? |

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Cortella 17:30:39
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Apoenã: A Filosofia, no campo da Ética, pode e deve apoiar a reflexão dos DH; basta ver a obra Ética do Dr. Fábio Comparatto e se notará o peso que isso tem. Estudar Kant ou Locke traz o tema ao vivo do dia-a-dia. |

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Moderador 17:31:00
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Andre diz: Senhor Cortella, boa tarde. Eu admiro muito o seu trabalho e entendo que a filosofia pode ser utilizada e aplicada no nosso dia a dia, nas questões existencias e até no âmbito mais pratico. No caso de direitos e proteção dos direitos de crianças e adolescentes, como pode a filosofia e o pensamento filosófico ser aplicado e ser utilizado para melhorar a proteção integral e as leis que protegem os direitos de crianças e adolescentes? Obrigado e shalom! |

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Cortella 17:32:26
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André: Grato pelo elogio. Quando a Filosofia substitui a expressão "excluído" pela palavra "Vítima" tudo fica mais claro. A Filosofia ajuda também a suspeitar do óbvio e não cair na armadilha do "normal". |

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Moderador 17:33:11
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João diz: Olá, Cortella, o que o senhor acha que deve ser feito no país para garantir os direitos humanos? |

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Cortella 17:33:58
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João: Fortalecer prioritariamente o Ministério Público, de modo a fazer com que a lei não seja esquecida. |

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Moderador 17:36:21
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Junior diz: o senhor é a favor da diminuição da maioridade penal? |

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Cortella 17:37:11
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Junior: Não, pois é melhor levantar a ponte do que abaixar o rio. |

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Moderador 17:37:39
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Gustavo diz: Boa tarde! Salve, Mário! Mário, sou militante na área de crianças e adolescentes e trabalho com crianças e adolescentes em situação de risco. Trabalhamos demais para a implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente. A lei é linda (filosoficamente falando). Mas, na prática, é dificil: troca de gestões públicas, conselheiros tutelares mal preparados etc... como imagina que podemos reverter esse quadro, tendo por base uma visão filosófica? |

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Cortella 17:39:06
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Gustavo: Filosofia não é Política; Filosofia ajuda a Política. A Política é feita de atos e a visão filosófica nos auxilia a impedir que os atos se transmutem em mera intenção. Filosofia serve para alertar. |

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Moderador 17:39:24
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Jussara diz: O que precisamos aprender a fazer para enfrentar o medo? |

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Cortella 17:40:34
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Jussara: Primeiro saber o que de fato nos dá medo; segundo, tentar perceber se é medo ou é expectativa; terceiro, lembrar que somos maiores sempre do que aquilo que nos assusta. |

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Moderador 17:42:00
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Estêvao Duarte diz: Boa tarde, Cortella. Gostaria de te dar os parabéns pelo maravilhoso trabalho que realiza. Bom, gostaria de falar sobre a questão da rede de atendimento de crianças e adolescentes. Sou conselheiro tutelar e estou na causa há bastante tempo. Sabemos que o ECA preconiza que devemos todos trabalhar em rede na política de atendimento para que todas as crianças e adolescentes recebam todos os direitos (vida, saúde, dignidade, convivência familiar e comunitária etc.). No entanto, é dificil fazer a rede funcionar. Pensando em pensadores como Mancur Olson, como David Hume que acreditavam que a falta de confiança e os interesses individuais levavam a menor possiblidade de ação coletiva, como fazer para mobilizar os atores em prol da rede de atendimento? Como vencer a questão da teoria da abordagem racional ou lógica econômica? |

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Moderador 17:43:40
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Este chat é promovido pelo portal Pró-Menino |

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Cortella 17:43:45
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Duarte: Fico feliz com o estímulo. A única forma mais eficiente que enxergo no momento é a litigância, como disse antes, ou seja, entrar com ações judiciais, trazer o MP para o circuito e usar o arsenal legislativo. Parodiando o Betinho, quem sofre tem pressa. |

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Moderador 17:44:10
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Pessoal, uma última questão para encerrar o chat: |

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Moderador 17:44:25
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Adriana diz: Neste país ser ético, ser litigante, ter coragem de bater o pé por seus direitos, pois quem luta pelos movimentos sociais e criminalizado, perseguido e difamado. Como ser corajoso com a ajuda da filosofia? |

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Cortella 17:46:30
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Adriana: Lembrar dois filósofos. Kant, que dizia que a Ética é um imperativo inegável e que não se pode fugir da escolha. O outro é o conselho de Ferreira Gullar ao Che Guevara: Ernesto, Ernesto, não basta estar certo para vencer a batalha. |

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Moderador 17:46:47
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Iremos encerrar o bate-papo. Sr. Cortella, o senhor tem algo a acrescentar? |

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Cortella 17:47:47
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Com alegria. Paulo Freire nos chamaria a esperançar, em vez de esperar. Esperança não é espera, é ação coletiva. Afinal, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega, mas se juntar o bicho foge. |

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Moderador 17:48:16
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. Sr. Cortella, muito obrigada pela sua presença no bate-papo do portal Pró-Menino |

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Moderador 17:48:28
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Pessoal, obrigada pela participação em nosso bate-papo. |

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Moderador 17:49:04
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Esta entrevista ficará disponível para consulta na página principal do Pró-Menino |
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