Do clipping da Andi
A julgar pelos resultados do último simulado de avaliação do ensino público fundamental, realizado no dia 2 de setembro, o município do Rio tem um longo caminho a percorrer caso queira ter um nível acadêmico, no mínimo, aceitável. Dos 95.706 alunos avaliados, entre estudantes do 5º e do 9º ano, a média global de notas oscilou entre 47 e 60,6, numa escala de zero a 100. Foram feitas avaliações de conhecimentos de português e matemática. A esperança reside no fato de algumas evoluções terem sido notadas em comparação com a última avaliação bimestral. Tanto os alunos do 5º ano quanto os do 9º tiveram uma pequena melhora em matemática, disciplina na qual há um histórico de maior dificuldade. Houve também uma melhora em português nas turmas de 5º ano.
A única queda foi registrada nas avaliações de português do 9º ano. De acordo com a secretária municipal de educação, Claudia Costin, foram vistos avanços importantes, especificamente em matemática. No entanto, esse resultado ainda não é o esperado. Entretanto, a declaração da secretária não foi bem recebida por militantes da educação pública do município e do estado. Para eles, apesar da melhora em relação à última avaliação, o sistema educacional ainda carece de grande reformulação. Para a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Vera Nepomuceno, muitas coisas precisam acontecer na educação do RJ. “Para nós, não tem sido bom o contato das escolas com as instituições privadas. Enquanto as secretarias de educação buscam esses convênios, falta o essencial nas escolas, como coordenadores, orientadores pedagógicos e educacionais, psicólogos e inspetores”, afirma.
Outro ponto questionado pelo Sepe é o fato de os professores atuais serem instruídos apenas a fazerem com que os alunos sejam aprovados, isto é, a escola pública atual não ofereceria uma formação completa ao estudante. “O professor não pode ser um mero executor de aulas. A transformação da educação se dará apenas quando as secretarias exigirem que esses profissionais façam um trabalho mais complexo junto aos estudantes, formando cidadãos e não apenas treinando os alunos para as provas”, observa. De acordo com a professora do programa de pós-graduação em educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Miriam Paúra, a sociedade mudou, e a escola não se adequou aos novos tempos. “Hoje temos um sistema de ensino defasado”, atesta.
Jornal do Brasil (RJ)– 18/09/2009