Trabalho infantil
19/01/2009
Diadema: Projeto Menino Cidadão
O objetivo do projeto é combater o trabalho infantil fomentando o desenvolvimento humano das crianças, jovens e seus familiares, através do programa de acompanhamento social; dos programas de arte-educação complementares à escola e da intervenção comunitária.
Atendemos 115 crianças e jovens e suas famílias, em situação de trabalho infantil, pretendendo alcançar melhorias nos aspectos: cognitivo, social, emocional e físico. Realizamos, mensalmente, sensibilizações nos locais que exploram mão-de-obra infantil (ferro-velho, mercado, lava-rápido, “fábrica” de peças e sacolinhas) e nas escolas municipais e estaduais. Também buscamos incentivar e facilitar o acesso dos 67 núcleos familiares das 115 crianças e jovens na rede de serviços, programas sociais e cursos de educação profissional.
Temos uma equipe de sete educadores sociais que realizam o acompanhamento social, que consiste em visitas familiares, conversas individuais com as crianças, jovens e familiares. O acompanhamento escolar acontece através de ações de apoio aos estudos, conversa com os professores e/ou coordenadores pedagógicos sobre desempenho, comportamento e freqüência e, quando necessário, participação das reuniões de pais e/ou responsáveis. A equipe também trata do encaminhamento e/ou acompanhamento médico, inclusive para atendimentos especializados nas áreas de Psicologia e Psiquiatria; e do acompanhamento nas atividades. Existe o cuidado de inserir a criança e o adolescente nas atividades pelas quais se interessam. Para isso e fazemos parceria com escolas de futebol do bairro, centros culturais, centro público e outras entidades sociais. Nossos educadores sociais conversam com os responsáveis por essas atividades a fim de trocar informações e pensar estratégias de atendimento, preenchimento dos instrumentais de registro, etc.
Vale ressaltar que adaptamos da ONG – JUCONI – Junto con los ninõs – Equador, o instrumental que mapeia o desenvolvimento humano das crianças, jovens e suas famílias. Preenchemos semestralmente esse instrumental, no banco de dados eletrônico que foi desenvolvido pela RECAD – Rede de Atenção a Criança de Diadema, onde a ACER é entidade-piloto na utilização e adequação do software.
Firmamos diversas parcerias para a realização do trabalho, dentre elas: Unidades Básicas de Saúde, Hospital Estadual do Serraria, Defensoria Pública, Centro de Atenção a Inclusão Social – CAIS, Centro de Atenção Psicossocial – CAPSI, Casa Beth Lobo (atendimento à mulheres vítimas de violência), Centro de Referência em Assistência Social – CRAS, Centro de Referência Especializado em Assistência Social – CREAS, Centro de Referência e Tratamento em DST / AIDS – CRT, Central de Trabalho e Renda, Clinica Oftalmológica Nova Gerty, Poupatempo e Projeto Dentista do Bem.
Salientamos que as parcerias são mantidas devido ao acompanhamento que é feito, onde os educadores sociais encaminham e acompanham o desenvolvimento da criança, do jovem e dos familiares, pensando, junto com os profissionais, estratégias de intervenção, trocando experiências e não fazendo apenas encaminhamentos.
Iniciamos outra parceria com o Projeto Catalisar (financiado pela New Economic Foundation – Inglaterra) objetivando aumentar a capacidade das famílias em gerar renda. A proposta é incentivar os processos de reinserção produtiva, visando: (a) apresentar alternativas para geração de trabalho e renda; (b) incentivar a criação de grupos de produção e cooperativas; (c) apoiar o desenvolvimento dessas atividades produtivas; (d) auxiliar a reinserção no mercado de trabalho; e (e) apoiar o processo de independência.
No processo de desenvolvimento do projeto, percebemos que alcançamos vários resultados positivos. Ressaltamos, dentre eles, a clareza de algumas famílias em relação aos riscos e malefícios do trabalho infantil, deixando de pedir para as crianças e/ou adolescentes trabalharem. Inclusive, há o caso de uma adolescente que solicitou à educadora que fosse até sua casa pedir para o pai deixá-la trabalhar. Os pais e/ou responsáveis estão levando as crianças e os jovens ao médico. As crianças e os adolescentes estão cuidando da higiene pessoal, sinalizando um aumento na auto-estima. Também quebraram a resistência em fazer atividade complementar à escola, iniciando o processo de socialização, Existe diálogo familiar, o controle da agressividade está melhorando, temos avanços no desempenho, na freqüência e no comportamento escolar, e alguns familiares estão acompanhando as crianças e os jovens nas escolas e nas atividades complementares à escola.
Após dois meses e estou eu a fazer a segunda visita para reafirmar com Maria de Lourdes e Dona Francisca a idéia de não comprar material das crianças. Entro no ferro-velho já buscando o cartaz para colocar novamente na parede e quando levanto meus olhos para cumprimentá-las, vejo uma parede forrada de brinquedos! A maioria são bonecas. “Dona Francisca, por que esses brinquedos na parede?” questionei e então, Dona Francisca confessa:
“Essas bonecas representam minha infância perdida, não tive tempo de brincar, sempre tive que trabalhar e quando chega alguma criança até dou algum brinquedo assim como os livros.”
Agora a Dona Francisca também ajuda a sensibilizar outras crianças sobre a importância do brincar. Se antes apenas comprava material de crianças, hoje ela entrega o colorido que faltava, fazendo com que as crianças enxerguem o lúdico e a importância de estudar.
Coloquei de volta o cartaz na bolsa e segui ao próximo ferro-velho, certa da importância de sensibilizar também os comerciantes para erradicar o trabalho infantil, e assim, quem sabe, termos cada dia mais ferros-velhos muito coloridos que enxergam seu papel em garantir o principal: o direito da criança de ser criança!
Texto enviado pela responsável do projeto: Raquel Formigari Csuraji
Telefones: 4049-6684 / 4049-1888 cel. 7645-7148
E-mail: raquel@acerbrasil.org.br
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