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11/02/2008

Mapeamento do cérebro de jovens infratores incentiva debates sobre limites éticos da ciência

do clipping da ANDI

O projeto de pesquisadores que pretendem examinar a vida e o cérebro de adolescentes em conflito com a lei acusados de homicídio tem incentivado debates sobre os limites e o papel da ciência como fonte de conhecimento para embasar políticas públicas.

A iniciativa causou reações contrárias de psicólogos, educadores ligados a universidades e representantes de ONGs de defesa dos Direitos Humanos de vários Estados. A antropóloga especialista em violência urbana Alba Zaluar explica que questionamentos não devem impedir o trabalho. “A avaliação genética é realmente uma coisa um pouco complicada. Mas sou a favor de um trabalho interdisciplinar. Precisamos colocar a mão nessa massa para entender melhor as origens da violência”, opina.

Para um dos coordenadores da pesquisa, Zamora Flores, as críticas estão baseadas em equívocos. “Não vamos nos resumir à análise neurológica e genética, mas investigar todos os fatores que podem estimular o comportamento agressivo”, argumenta.

Para o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marco Antonio Zago, a controvérsia é compreensível. “Minha posição é de defesa da ciência e do progresso, desde que limitado pela ética. A pesquisa só irá em frente, apesar de toda a controvérsia, se for aprovada por comitês de ética qualificados”.

Já o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Miki Breier, o trabalho é importante para revisar as políticas e perceber falhas. “O estudo pode até não dar uma palavra cabal, mas pode apontar caminhos”, explica.

Fonte: Zero Hora (RS), Marcelo Gonzatto – (28/1)

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