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19/02/2008

20 de novembro: feriado ou não?

Divulgação

Um grande salve a todos! Este mês venho, através desta coluna, reivindicar os direitos de um povo, fazendo uso de minha cidadania. Quero reclamar por mim, por meus ancestrais, pelos meus filhos e pelos netos que um dia virão. Este ano, no mês de novembro, a grande questão nas ruas de São Paulo era:

- Dia 20 é feriado de quê?
 
Realmente, as pessoas ainda não têm conhecimento da data e muitos não conhecem a história. Há poucos dias, foi aprovada uma lei que torna obrigatório o ensino da história do povo afro-brasileiro. Um povo que tanto contribuiu para o Brasil, mas que teve sua verdade apagada. Eu mesmo só conheci a história de Zumbi dos Palmares pelas palavras do meu avô. Não pude ler nos livros de história do Brasil. Sonho, porém, com o dia em que meus descendentes terão esse privilégio, pois a auto-estima do meu povo depende disso.
 
Cresci em meio a feriados como o de Tiradentes, de Duque de Caxias, do Dia do Soldado Constitucionalista e assistindo aos filmes na TV exaltando seus feitos. Sempre percebi um personagem que parecia passar batido aos olhos da sociedade, de pés descalços, carregando esse país nas costas. Vivia assim a mão de obra mais barata de todos os tempos: os escravos.
 
Todos sabem  que, durante aproximadamente 400 anos, o negro sofreu todo tipo de barbárie. Mas não estou aqui para chorar e sim para conquistar o que é meu por direito. Não se trata de um simples feriado ou de mais um dia para ficar em casa. Falo aqui de respeito, de tradição, de auto-estima, de reconhecimento, de gratidão e, acima de tudo, de atitude e de respeito aos descendentes e remanescentes de quilombolas que ainda resistem neste fazendão ao qual chamamos Pátria.
 
Percebo que realmente existe uma barreira racial e social em nossa sociedade, pois o  Brasil adora feijoada, vibra com os gols de Pelé e Garrincha, assiste à Glória Maria todos os domingos, mas não admite a contribuição desse povo.
 
Espero que daqui a alguns anos eu possa falar que algo mudou, mas, infelizmente, o Brasil ainda é um país preconceituoso, pois não institui nacionalmente a data em respeito à luta e à colaboração do povo afro-brasileiro. Será porque o herói não é descendente de europeus?
 
Paz a todos!

 

*Os textos publicados na área Colunistas são de responsabilidade dos autores e não exprimem necessariamente a visão do portal Pró-menino. Os comentários a respeito dos textos do colunista Rappin Hood serão, excepcionalmente, encaminhados diretamente ao autor, que responderá conforme disponibilidade pessoal.


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