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Causos do ECA
14/07/2005

Confira quem são os premiados do Concurso - Coragem de lutar e de viver

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Coragem de lutar e de viver


Maria Aparecida Vieira
Rosa Lúcia Rocha Ribeiro
Cuiabá, MT


Lá vinha Wesley pelo corredor do hospital, caminhando "devagarinho", com um cateter no nariz e uma borracha comprida conectada no pequeno balão verde de oxigênio que Vitória carregava. "Brava mulher, essa Vitória", comentavam uns. "Que paciência tem essa mãe", diziam outros. Era só assim que Wesley podia sair do quarto onde estava, com oxigênio ligado 24 horas por dia, meses a fio. E sua mãe ao seu lado...

Ele tinha 15 anos, mas seu tamanho era de uma criança de 7, conseqüência de sua doença, principalmente pela falta de oxigenação das suas células e de infecções que adquiria com facilidade. O quarto dele no hospital (onde chegou a permanecer por oito meses seguidos) era quase a sua casa. Além dos equipamentos de que necessitava - bombas de infusão, respirador, oxímetro, aspirador, suporte de soro, etc. -, tinha uma imagem de Nossa Senhora Aparecida colada na parede, coisas suas e de sua mãe, livros, gibis, presentes que ganhava e uma porção de álbuns de fotografia, que o ajudavam a contar sua história para os novos que chegassem. "Cada mergulho é um flash!", brinca Vitória.

No Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, Mato Grosso, muita gente conheceu Wesley e aprendeu com ele como se deve cuidar de um paciente. E que cuidado! Era difícil alguém do hospital não conhecer Wesley. Todos nutrem um carinho muito grande por ele.
"Muita gente conheceu Wesley e aprendeu com ele como se deve cuidar de um paciente"

Apesar das dificuldades impostas por sua limitação física, o menino estava sempre sorrindo. Ele é paciente do Júlio Müller desde os 9 anos de idade. Hoje, tem 16 anos. Sempre que precisou de tratamento específico - como o oxigênio que ele usava em casa para garantir sua sobrevivência -, de internação, de um medicamento simples ou convencional, a equipe de saúde e o serviço social se desdobraram para garantir a ele o que era necessário à sua saúde.

O isolamento do mundo exterior era uma limitação que se resolvia esporadicamente com passeios rápidos autorizados pela equipe médica e conduzidos por funcionários do hospital ou estudantes de medicina dos quais era amigo. Mas ia sempre com o oxigênio junto. Nessas ocasiões ele voltava para o hospital com um ar renovado.

Além do tratamento médico, Wesley tinha a oportunidade de brincar e de desenvolver suas habilidades manuais por meio das atividades do programa de recreação terapêutica existente no hospital desde sua criação. Embora o Classe Hospitalar ainda não fosse um programa oficial do hospital nessa época, Wesley pôde manter o interesse pelos conteúdos escolares com a ajuda de uma professora voluntária, que também era auxiliar de enfermagem no setor de pediatria.

Nos últimos meses que esteve no hospital, Wesley foi um dos primeiros alunos do Projeto Escola de Informática e Cidadania para Crianças Hospitalizadas (EIC Hospitais). E, pelo computador, cada vez mais ele ampliava seu círculo de amizades, enviando e recebendo e-mails. E também foi por meio dessa tecnologia que ele e sua mãe conheceram a Santa Casa de Porto Alegre, para onde foram transferidos, pelo Programa de Tratamento Fora do Domicílio do SUS, para a realização do transplante pulmonar. Era a sua única chance de cura.

A cirurgia - um transplante intervivos coordenado pelo doutor Jorge Correa de Porto Alegre - foi um sucesso! Wesley recebeu parte do pulmão de sua mãe e parte do pulmão de seu pai. Antes da cirurgia e após sua conclusão, Wesley e a equipe gaúcha que cuidava dele mantinham contato pela internet com os amigos do hospital de Cuiabá. E a novidade emocionou a todos: Wesley não precisaria mais do balão de oxigênio!

Assim, Wesley voltou para a vida. Voltou como exemplo de esperança, de coragem e do exercício da cidadania apoiado no Estatuto da Criança e do Adolescente. Voltou com os seus braços abertos ao vento, com seu sorriso imenso e seu olhar que transmite coragem. Coragem de lutar e de viver!

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