Notícias
07/11/2008
Perfil dos vencedores da categoria ECA como Instrumento de Transformação
Da redação do Portal Pró-Menino
Clique aqui e veja também o perfil dos vencedores da categoria ECA na Escola
Luis Fernando de França Romão - O primeiro colocado da categoria “ECA como Instrumento de Transformação” é membro do Conselho Estadual da Juventude do Rio de Janeiro, coordenador do Programa Juventudes e Direitos Humanos da Organização de Direitos Humanos Projeto Legal e estudante de Direito.
Com todas essas credenciais, imaginamos alguém experiente, com vinte e poucos anos, mas Luis Fernando de França Romão tem apenas 18 e desde os 14 está envolvido com as questões dos direitos infanto-juvenis, quando sua mãe apresentou “um livro diferente, que não continha histórias bonitas com finais felizes”. Era o Estatuto da Criança e do Adolescente, com o qual começou a descobrir um novo mundo, conforme ele relata em seu causo vencedor.
| Foto: Divulgação |
 |
| Presidente do Grupo Telefônica, Antônio Valente (esq.) entrega prêmio a Luis Fernando (meio) |
Para ele, o prêmio foi um reconhecimento por tudo o que lutou e um incentivo para continuar nessa luta. “Também é uma oportunidade para disseminar boas práticas e incentivar a iniciativa para que outras pessoas contem suas histórias”, afirma o garoto que há alguns meses ainda era um adolescente.
Em 2005, Luis Fernando participou do primeiro Concurso Causos do ECA, quando ainda não tinha tantas experiências para contar. Três anos mais tarde, mais maduro, resolveu se inscrever contando a própria história de atuação no Conselho de Direitos de sua cidade, o interesse pela carreira jurídica e sua luta pelos direitos de crianças e adolescentes. Ele conta que tem o hábito de entrar cotidianamente no Portal Pró-Menino para buscar informações, ler textos e artigos para suas atividades.
Luis era a pessoa mais nova entre os 20 finalistas do Concurso de 2008. “No começo, as pessoas sentem um pouco de desconforto, pois há certo conservadorismo dos profissionais com graduação, mestrado, doutorado, todos lado a lado com um adolescente”, diz. No Conselho dos Direitos, inclusive, ele possui poder de voto igual ao dos outros membros que também são todos mais velhos que ele. “Mas, com o tempo, nós, adolescentes, devemos mostrar a que viemos, que é discutir a questão com seriedade”, afirma com segurança o rapaz.
E a agenda do jovem parece estar repleta de compromissos na área. Na mesma semana da premiação, ele continuou na capital paulista para participar do “Encontro Nacional Criança e Adolescente: Direitos e Sexualidade”, promovido pela Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP). No evento, recebeu os cumprimentos de algumas pessoas que também estavam presentes na noite do Causos do ECA. Assim que voltar para casa, no Rio de Janeiro, terá direito a muitos apertos de mão e abraços merecidos pelo prêmio reconhecido.
Leia o causo de Luis Fernando, "O ECA como mentor de uma juventude"
Rafael Faustino da Silva é conselheiro tutelar da cidade de Montenegro (RS) desde 2005. Tem 25 anos e faz Administração de Empresas na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Para dar conta do recado e desempenhar vários papéis em localidades diferentes, Rafael anda de moto e aproveita ao máximo o seu dia.
| Foto: Divulgação |
 |
| Rafael Faustino recebe prêmio de Neide Castanha (esq.) e posa ao lado de Welington |
Na dinâmica de integração com o grupo de finalistas durante a manhã, no hotel, e também à noite, na hora em que recebeu a premiação, Rafael emocionou a todos com seu depoimento. Sem medo de expressar sua sensibilidade, Rafael disse que “gaúcho também chora” e que “desabou a chorar” quando viu seu nome entre os finalistas.
As dificuldades que ele enfrenta desde que decidiu ser conselheiro não são poucas e poderiam fazer muita gente desistir. Mas Rafael soube tirar força dos próprios desafios, desde empecilhos legais e burocráticos, até o fato de ter sido alvo de críticas e perseguições por sua postura inegociável de fazer valer os direitos da criança e do adolescente.
Segundo ele, o Concurso Causos do ECA, promovido pelo Portal Pró-Menino, é uma importante forma de reconhecimento desse trabalho árduo feito na base, no dia-a-dia. “Em todas as etapas da organização nós podemos perceber o cuidado e o respeito do Portal e toda sua equipe conosco. Mas o momento mais emocionante foi quando cheguei ao Teatro Abril e vi a magnitude do evento, o grau de valor dado às histórias, a platéia de empresários, diretores da Telefônica e aí fiquei mesmo pasmo de ver até que ponto nossas histórias cativaram a atenção de todos e resultaram no coroamento que foi esse evento”, diz ele. Com o entusiasmo renovado, Rafael se sente fortalecido para continuar o trabalho na Associação de Conselheiros Tutelares do Rio Grande do Sul (ACONTURS).
Conheça o causo de Rafael Faustino, "ECA: instrumento de garantia de direitos"
Josiane da Costa Baia – Há 14 anos trabalhando com crianças na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, e há um ano e 11 meses como conselheira tutelar, Josiane se considera uma pessoa feliz por fazer o que gosta e o que acredita. Essa experiência foi decisiva para que ela e seus companheiros do Conselho Tutelar conseguissem levar com habilidade e coragem o caso da adolescente de 17 anos encarcerada em uma cela com mais de 20 detentos, na cidade paraense de Abaetetuba.
Foi esse mesmo Conselho que decidiu relatar o caso e inscrevê-lo no Concurso Causos do ECA de 2008. Josiane relembra o que aconteceu e desabafa com tristeza: “O que me dói é que, apesar de o ECA ter completado 18 anos, priorizar crianças e adolescentes para muitas pessoas é algo que ainda está apenas no papel, no discurso.”
| Foto: Divulgação |
 |
| Veet Vivarta, da ANDI, Josiane da Costa e Wellington Nogueira |
O que aconteceu com essa adolescente ganhou manchetes de jornais dentro e fora do país, mas Josiane conta que nem ela nem as duas colegas conselheiras que foram até a delegacia pensaram um instante sequer em repercussão na mídia. O que estava em jogo era a vida de alguém, de um ser humano em construção e amparado por lei. “Éramos três mulheres, mães e, acima de tudo, seres humanos que se indignaram profundamente ao ver essa adolescente em situação tão desumana”, diz ela. O companheirismo é sempre ressaltado por Josiane. “Nós somos em cinco conselheiros para atender um município de 136 mil habitantes, 14 bairros, 32 comunidades de estrada e 72 ilhas. Somos muito unidos e, se naquele dia eu tivesse ido sozinha à delegacia, jamais conseguiria o que conseguimos juntos.”
Envergonhada por ter chorado na entrega do prêmio, Josiane confessa que foi muito emocionante saber que alguém reconhece seu trabalho. E apesar das ameaças que ela, os colegas e suas famílias têm sofrido, declara com admirável determinação: “Não pensei em desistir, não penso e faria tudo de novo, pois a bandeira de nosso Conselho Tutelar é a proteção das crianças e os adolescentes.”
Confira a história de Josiane da Costa, "O resgate"
Clique aqui e veja também o perfil dos vencedores da categoria ECA na Escola
Os internautas que leram esse texto leram também
|
|