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16/01/2008

Daniela Rocha: visibilidade ao trabalho infantil

Foto: Divulgação

Depois de ter trabalhado durante sete anos na redação da Folha de São Paulo como redatora, repórter, editora e correspondente em Nova York, Daniela Rocha conhecia bem as prioridades dos jornalistas.

Foi assim que, sem planejar muito, começou a trabalhar fazendo uma espécie de ponte entre jornalistas e fontes de informação. Isso aconteceu quando se mudou para Brasília (DF), e foi convidada para fazer uma coisa completamente nova: elaborar e executar um projeto de comunicação – nos moldes da Organização das Nações Unidas –, para a erradicação do trabalho infantil doméstico.

Contratada pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), o projeto se daria em parceria com o Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC), da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O desafio era enorme, sobretudo porque à época, em 2002, o Brasil iniciava um processo de identificação do problema, do ponto de vista quantitativo e qualitativo. No entanto, comunicar sobre o tema era uma tarefa complexa, porque é um tipo de exploração que acontece dentro das casas, onde a fiscalização – ou a imprensa – não chega.

Diferentemente do problema de crianças vendedoras ambulantes ou em determinado cultivo agrícola, o trabalho infantil doméstico não estava à vista de todos. Era silencioso e, culturalmente, aceito. Todas essas questões deveriam, de alguma forma, vir à tona. O problema era gigantesco: quase meio milhão de crianças no trabalho doméstico, segundo números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2001.

O trabalho coordenado de convencimento, mobilização e promoção de debate resultou na grande adesão de jornalistas, grandes parceiros para dar visibilidade ao problema. Foram eles que contribuíram decisivamente para que crianças trabalhadoras domésticas passassem a ser incluídas no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), do governo federal.

A esse projeto seguiu-se a elaboração e coordenação de outro, o Programa de Comunicação para a Eliminação das Piores Formas de Trabalho Infantil, nova parceria entre a ANDI e a OIT, com igual repercussão. Nessa fase, que durou entre 2005 e 2006, Daniela Rocha foi designada a integrar o corpo do júri das duas primeiras edições do Concurso Causos do ECA, promovidos pelo Portal Pró-Menino.

Em 2006, foi selecionada para o posto de Oficial de Projeto do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho, onde trabalhou durante 11 meses até se mudar para a Bélgica, de onde faz colaborações eventuais à OIT no Brasil e em Genebra, na Suíça.



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