Era uma vez... 1
Viva e Deixe Viver! 1
A hora da história... 1
Acredite se quiser 1
Para se tornar voluntário do Viva. 1
Era uma vez um monte de crianças que passavam dias muito entediantes e desanimados em quartos cinzas e tristes de hospitais. Isso porque estavam tão doentes que de lá não podiam sair. Tinham de tomar um monte de remédios e ficar o dia inteiro sem ter muito que fazer.
Era uma vez Valdir Cimino, um publicitário que costumava ajudar na compra de brinquedos e leite para algumas dessas crianças.
Um dia, Valdir sentiu que o que fazia era muito pouco. Ficou com vontade de conhecer como era o dia-a-dia daquelas crianças que estava ajudando. E foi. Quando chegou lá, sentiu-se muito triste ao ver corredores cinzas e crianças sendo atendidas no mesmo espaço de adultos. Sentiu que precisava fazer alguma coisa, mas não sabia muito bem o quê.
Era uma vez a sobrinha de Valdir, Violeta. O tio sempre a enchia de livros e de histórias, que ele contava ou que a levava para assistir em cinemas e teatros. O tio Valdir contou que tinha visitado um Hospital (o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo) onde encontrou um monte de crianças que estavam muito tristes e que ele gostaria de mudar pelo menos um pouco esta situação. Violeta, que não era boba nem nada e que adorava as histórias do tio, disse com aquela simplicidade que só criança tem: "Você podia ler histórias para elas...".
Foi mais ou menos assim que a história do Viva e Deixe Viver começou. Valdir Cimino comprou livros, ensaiou histórias e preparou-se para começar seu trabalho. No seu primeiro dia como contador, Valdir logo percebeu as dificuldades que teria pela frente. Ao se aproximar de um menino para contar-lhe uma história, este respondeu que não queria. Por um lado, pensou que talvez devesse respeitar a vontade daquela criança (que provavelmente quase nunca tinha a sua vontade respeitada, como quando não queria saber de agulhas ou gostos insossos e ruins sendo jogados dentro de sua garganta) e sair rapidinho dali. Mas por outro, achou que poderia inventar alguma coisa e ganhar a confiança do garoto. Viu que perto de sua cama tinha uma caixa de massinhas de modelar e resolveu arriscar: "Você gosta de Zoológico?", perguntou. A partir de então, as coisas fluíram e Valdir acabou "fazendo uma história".
Daquele dia em diante, Valdir passou a escutar mais as crianças e a dar espaço para que elas mesmas contem histórias - ou mesmo as suas histórias. Permitiu que os Power Rangers fossem chamados para ajudar Pinóquio e Gepeto a saírem da barriga da Baleia ou mesmo que a Cinderela tivesse joanete. Enfim, deixou que aquelas crianças lhe mostrassem toda a sua imaginação e aproveitou para retomar o seu lado criança, ativando a sua própria criatividade.
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No dia 17 de Agosto de 1997, foi fundada a OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - Viva e Deixe Viver, que conta com o apoio de voluntários para dar continuidade aos trabalhos iniciados por Valdir, seu Diretor - Fundador.
Até junho de 2003 mais de 36.000 horas foram doadas e mais de 66.000 crianças e adolescentes ouviram, contaram ou fizeram histórias com o pessoal do Viva, através de cerca de 61.164 visitas diárias a hospitais.
Atualmente, mais de 300 contadores de histórias voluntários atuam na organização. A ação é desenvolvida em 19 hospitais na cidade de São Paulo, além de um em Campinas (interior do estado) e outro em São Caetano do Sul (na grande São Paulo). A Associação atende também quatro hospitais na Bahia. No dia 24 de Maio de 2003 formou-se um grupo do Viva em Recife, de 13 contadores e 5 fazedores de histórias; que após cerca de três meses de capacitação iniciou seus trabalhos em dois hospitais, prometendo ter, em breve, muita coisa para contar.
Apesar de o trabalho ter sido iniciado em um hospital público (Instituto de Infectologia Emílio Ribas), a Associação não faz distinções e atua tanto em órgãos particulares como públicos, desde que seja requisitado o seu trabalho. O objetivo é atender todas as crianças que querem e precisam (e sempre precisam) ouvir histórias.
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Graças a um avental colorido, que diferencia os contadores dos médicos, as crianças dos hospitais que o Viva tem parceria já sabem a hora da história. Os voluntários contam que é muito interessante ver a reação das crianças quando eles entram nos quartos, pois elas já se preparam para ouvir ou mesmo contar uma história.
Para dar conta de tanta história, o Viva e Deixe Viver conta com uma equipe multidisciplinar de voluntários, os quais são selecionados a partir de um rigoroso processo seletivo. Passam por um treinamento de capacitação (de seis a nove meses), iniciando seus trabalhos no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, considerado a "prova de fogo" para os aspirantes a contadores serem aprovados.
Além disso, são constantemente oferecidos workshops, cursos de especialização, oficinas que incentivam a motivação dos colaboradores e suporte psicológico. Isso porque os contadores muitas vezes têm de lidar com situações em que fica difícil administrar a emoção. Como atendem crianças internadas em UTIs, acontece de um contador visitar uma criança em um dia e no outro ela já ter morrido. As emoções acionadas nas visitas são muito fortes e saber como vivê-las é fundamental para que o trabalho tenha bons resultados.
O trabalho realizado pelos corajosos voluntários é muito importante, principalmente no que tange à humanização dos tratamentos hospitalares. O foco é sempre a criança (os voluntários atendem desde bebês até pré-adolescentes), mas isso não impede o envolvimento dos pais e familiares que muitas vezes encontram-se nos quartos junto às crianças e acabam por entrar no clima das histórias. O envolvimento das famílias favorece o reconhecimento do trabalho e atualmente até mesmo as equipes médicas compreendem a importância do atendimento, enxergando que as histórias têm um importante papel nas vidas das crianças, adolescentes e também adultos (por que não?). As histórias transmitem valores morais importantes, como o respeito ao próximo, dignidade, carinho, atenção. Elas também são uma forma de as crianças entenderem melhor o que estão passando e uma forma de criação de caminhos para lidar com seus problemas pessoais, seus corpos, suas vidas.
Quando se firma uma parceria entre o hospital e o Viva, a primeira coisa a fazer é criar uma mini biblioteca no hospital, para que os voluntários tenham sempre material à mão para explorar os temas que a criança está tendo dificuldade em lidar. O voluntário sempre consulta a equipe multidisciplinar do hospital (médico infectologista, enfermeira e nutricionista) antes de começar a trabalhar para ver quais são as necessidades específicas de cada criança. A partir disso, as histórias são selecionadas: se a criança não quer comer, procura-se enfatizar a importância de ter uma boa alimentação; se está com medo porque acabou de chegar, a história contada deve focar o significado do medo e formas de lidar com ele, por exemplo. Outros temas freqüentemente abordados são a higiene e o estímulo aos estudos. Valdir Cimino conta que houve até mesmo casos em que a criança hospitalizada, animada com as histórias, pediu para que seus deveres escolares fossem trazidos ao hospital.
O Viva se orgulha de disseminar a cultura e o hábito da leitura através de formas lúdicas, que estimulam a imaginação e ativam as percepções sensoriais. Até mesmo bebês participam das atividades: eles ouvem as histórias muito atentamente. Com os bebês é feito uso de material colorido para despertar a curiosidade.
A Associação conta com o auxílio de um Conselho Cultural, que integra nomes como Tatiana Belinky, Patrícia Secco, Vânia Dohme, Walcyr Carrasco e Marilena Flores e é responsável pela seleção dos livros mais adequados para se trabalhar com as crianças..
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Pelo fato de o Viva atuar em um hospital de Campinas ligado à UNICAMP, foi possível a realização de uma pesquisa para avaliar os resultados obtidos na melhoria da condição de saúde das crianças que receberam visitas dos contadores ou fazedores de histórias.
Entre os principais resultados obtidos, foi constatado que houve aumento de 87,5% de percepções globais no desenho após a atividade com os "contadores de histórias", indicando uma melhora na visão da realidade e melhor aproveitamento da inteligência.
A energia vital também se elevou consideravelmente, passando de 62,5% antes da atuação para 100% no momento posterior. Quanto ao conteúdo dos desenhos, 62,5% representaram o ser humano, 25% representaram animais e 12,5% representaram desenhos com conteúdos inanimados. Isto indica maior disponibilidade para encarar a realidade de seu próprio corpo e denota energia de vida.
É isso aí. As atividades propostas pelos contadores da Associação Viva e Deixe Viver trazem às crianças e aos adolescentes maior uso de seus recursos afetivo-emocionais - os quais, conseqüentemente, fazem com que a hospitalização passe a ser percebida mais positivamente e de forma menos persecutória.
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O processo seletivo do Viva tem data marcada. Neste ano, estarão abertas vagas a partir de abril e para se cadastrar é preciso acessar o site www.vivaedeixeviver.org.br e preencher a ficha de inscrição, que estará disponível somente em abril.
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